Programa Monitora e avaliação do risco de extinção da fauna no Brasil: Lacunas e sinergias

Marcio Uehara-Prado1*

https://orcid.org/0000-0001-9290-4610

* Contato principal

Cibelle Borges Henriques1

https://orcid.org/0009-0009-2841-8859

Felipe Gustavo de Morais Moura1

https://orcid.org/0009-0009-5756-0109

Amanda Galvão1

https://orcid.org/0009-0005-3619-5633

Rachel Klaczko Acosta2

https://orcid.org/0000-0002-4999-7230

Arthur Brant1

https://orcid.org/0000-0002-1105-4747

Elildo Alves Ribeiro de Carvalho Junior3

https://orcid.org/0000-0003-4356-2954

Marcos de Souza Fialho4

https://orcid.org/0000-0002-9938-6454

Estevão Carino Fernandes de Souza5

https://orcid.org/0000-0001-6715-5072

1 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade/ICMBio, Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade do Cerrado e Restauração Ecológica/CBC, Brasília/DF, Brasil. <muprado@yahoo.com, cibelle.b.henriques@gmail.com, demouram.felipe@gmail.com, amandagalvao@gmail.com, arthur.pereira@icmbio.gov.br>.

2 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade/ICMBio, Coordenação de Monitoramento da Biodiversidade/COMOB, Brasília/DF, Brasil. <rachel.acosta@icmbio.gov.br>.

3 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade/ICMBio, Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros/CENAP, Atibaia/SP, Brasil. <elildo.carvalho-junior@icmbio.gov.br>.

4 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade/ICMBio, Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres/CEMAVE, Cabedelo/PB, Brasil. <marcos.fialho@icmbio.gov.br>.

5 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade/ICMBio, Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Aquática Continental/CEPTA, Pirassununga/SP, Brasil. <estevao.souza@icmbio.gov.br>.

Recebido em 15/01/2024 – Aceito em 11/03/2025

RESUMO – O Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade (Programa Monitora) gera dados de distribuição geográfica, número de indivíduos e tendência populacional das espécies da fauna brasileira em unidades de conservação (UCs), além de contribuir para a avaliação do risco de extinção de tais espécies. Este trabalho apresenta um diagnóstico da contribuição do Programa Monitora ao processo de avaliação do risco de extinção da fauna terrestre, relevante para a identificação de lacunas de conhecimento de populações de interesse para a conservação. Foram identificadas 273 espécies nas categorias Criticamente Em Perigo (CR), Em Perigo (EN), Vulnerável (VU), Quase Ameaçada (NT) e Dados Insuficientes (DD) passíveis de amostragem pelo Monitora: vinte aves terrestres, dez aves marinhas, 82 mamíferos, 129 libélulas e 32 borboletas. Ao todo, 107 espécies têm registro de ocorrência em UCs que participam do Programa Monitora e 114 espécies em UCs fora do Programa. A maioria das espécies de libélulas (110) e borboletas (17) não possui registros em UCs, participantes ou não do programa. Em contraste, apenas dez das 112 espécies de aves e mamíferos não foram registradas em UCs federais. A interação entre os dois processos se mostrou exitosa quando novos registros provenientes do Monitora alteraram a categorização de espécies no processo de avaliação. Estratégias para otimizar essa interação incluem: integrar os sistemas SISMonitora e SALVE; considerar a fauna ameaçada, bem como NT e DD na ampliação do Monitora; implementar módulos básicos do Monitora em lacunas geográficas dessas espécies; implementar módulos avançados em UCs onde isso contribua para a avaliação do risco de extinção.

Palavras-chave: Conservação; espécies ameaçadas; risco de extinção; Programa Monitora.
Programa Monitora, biodiversity monitoring and faunal extinction risk assessment in Brazil: gaps and synergies

ABSTRACT – The National Biodiversity Monitoring Program (Monitora Program) generates data on the geographic distribution, number of individuals, and population trends of Brazilian fauna species, which are important for assessing their extinction risk. This work presents a diagnosis of the contribution of the Monitora Program to the process of evaluating the extinction risk of terrestrial fauna, relevant for identifying knowledge gaps regarding populations of conservation interest. A total of 273 species were identified in the categories Critically Endangered (CR), Endangered (EN), Vulnerable (VU), Near Threatened (NT), and Data Deficient (DD) that could be sampled by Monitora: 20 terrestrial birds, 10 marine birds, 82 mammals, 129 dragonflies, and 32 butterflies. In total, 107 species have occurrence records in Conservation Units (CUs) that participate in the Monitora Program, and 114 species are in CUs outside the program. Most dragonfly (110) and butterfly (17) species do not have records in CUs, whether participants in the program or not. In contrast, only 10 of the 112 bird and mammal species have not been recorded in federal CUs. The interaction between the two processes proved successful when new records from Monitora changed the categorization of species in the evaluation process. Strategies to optimize this interaction include integrating the SISMonitora and SALVE systems; considering threatened fauna, as well as NT and DD species, in expanding Monitora; implementing basic modules of Monitora in geographic gaps for these species; and implementing advanced modules in CUs where it would contribute to assessing extinction risk.

Keywords: Conservation; threatened species; extinction risk; Monitora Program.

Programa Monitora, monitoreo de la biodiversidad y evaluación del riesgo de extinción de la fauna en Brasil: brechas y sinergias

RESUMEN – El Programa Nacional de Monitoreo de la Biodiversidad (Programa Monitora) genera datos sobre la distribución geográfica, el número de individuos y las tendencias poblacionales de las especies de fauna brasileña, que son importantes para evaluar su riesgo de extinción. Este trabajo presenta un diagnóstico de la contribución del Programa Monitora al proceso de evaluación del riesgo de extinción de la fauna terrestre, relevante para identificar brechas de conocimiento sobre poblaciones de interés para la conservación. Se identificaron un total de 273 especies en las categorías Críticamente Amenazada (CR), Amenazada (EN), Vulnerable (VU), Casi Amenazada (NT) y Datos Insuficientes (DD) que podrían ser muestreadas por Monitora: 20 aves terrestres, 10 aves marinas, 82 mamíferos, 129 libélulas y 32 mariposas. En total, 107 especies tienen registros de ocurrencia en Unidades de Conservación (UCs) que participan en el Programa Monitora, y 114 especies en UCs fuera del programa. La mayoría de las especies de libélulas (110) y mariposas (17) no tienen registros en UCs, ya sean participantes en el programa o no. En contraste, solo 10 de las 112 especies de aves y mamíferos no han sido registradas en UCs federales. La interacción entre los dos procesos resultó exitosa cuando nuevos registros provenientes de Monitora alteraron la categorización de especies en el proceso de evaluación. Las estrategias para optimizar esta interacción incluyen: integrar los sistemas SISMonitora y SALVE; considerar la fauna amenazada, así como las especies NT y DD en la ampliación de Monitora; implementar módulos básicos de Monitora en vacíos geográficos para estas especies; y implementar módulos avanzados en UCs donde esto contribuya a la evaluación del riesgo de extinción.

Palabras clave: Conservación; especies amenazadas; riesgo de extinción; Programa Monitora.

Como citar:

Uehara-Prado M, Henriques CB, Moura FGM, Galvão A, Acosta RK, Brant A, Carvalho Jr. EAR, Fialho MS, Souza ECF. Programa Monitora e avaliação do risco de extinção da fauna no Brasil: Lacunas e sinergias. Biodivers. Bras. [Internet]. 2025; 15(2): 67-84. doi: 10.37002/biodiversidadebrasileira.v15i2.2529

Introdução

O Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade (Programa Monitora) é conduzido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em unidades de conservação (UCs) federais, sendo um programa de longa duração que visa subsidiar a avaliação da efetividade de conservação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) [1]. O Programa Monitora possui uma ampla cobertura territorial, abrangendo todas as regiões do Brasil e, potencialmente, todos os biomas, desde os ambientes terrestres aos dulcícolas e marinhos [1][2]. Diferentes grupos taxonômicos são contemplados como alvos globais do Programa, ou seja, aqueles selecionados devido a sua sensibilidade às alterações do ambiente e seu potencial de representar as condições de conservação de mais de um bioma ou região do país (IN ICMBio nº 02 de 2022) [3]. Entre eles estão aves, mamíferos, peixes, insetos e crustáceos [1]. Um conjunto adicional de espécies, desses ou até de outros grupos (e.g., quelônios de água doce) pode ser monitorado em condições específicas do Programa, como quando a UC amostra alvos complementares aos globais ou quando da execução de protocolos avançados [1][4].

O risco de extinção de todas as espécies de vertebrados e grupos específicos de invertebrados contemplados pelo Programa Monitora é avaliado pelo ICMBio no processo de avaliação do risco de extinção da fauna [5], conduzido pela Coordenação de Avaliação do Risco de Extinção das Espécies da Fauna (COFAU/ICMBio) e executado pelos Centros Nacionais de Pesquisa e Conservação do ICMBio (IN ICMBio nº 09 de 2020) [6]. Trata-se de um diagnóstico técnico-científico do estado de conservação das espécies da fauna brasileira, realizado pelo ICMBio, órgão executor da Política Nacional de Meio Ambiente do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Assim, o ICMBio coordena um processo regular e contínuo de avaliação das espécies utilizando o método de categorias e critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), abordagem geograficamente mais abrangente, objetiva e cientificamente rigorosa para avaliar o risco de extinção de espécies, sendo utilizada em todo o mundo [7][8].

O processo conta com uma ampla rede de especialistas por meio de parcerias com a UICN, instituições de pesquisa, sociedades científicas e organizações não governamentais de reconhecida atuação em conservação da biodiversidade. Todas as espécies de vertebrados com ocorrência conhecida para o Brasil são avaliadas e, para os invertebrados, as espécies são selecionadas de acordo com sua importância ecológica, econômica e social (IN ICMBio nº 09 de 2020) [5][6]. Entre 2015 e 2024, o ICMBio avaliou um total de 15.564 espécies da fauna, o que representa, provavelmente, o maior esforço para avaliar o risco de extinção de espécies da fauna de um país [9].

No método de categorias e critérios da UICN, dados de distribuição geográfica e informações populacionais são essenciais para a categorização de espécies [5][10]. O Programa Monitora gera dados sobre a distribuição geográfica, número de indivíduos e tendência de populações da fauna brasileira [4][11], que contribuem para a avaliação do risco de extinção das espécies. O presente artigo apresenta um panorama da contribuição do Programa Monitora ao processo de avaliação do risco de extinção da fauna terrestre Criticamente em Perigo (CR), Em Perigo (EN), Vulnerável (VU) (doravante reunidas sob o termo “ameaçadas”), bem como para espécies nas categorias Quase Ameaçada (NT) e com Dados Insuficientes (DD).

Esse panorama é valioso para identificar lacunas de informação na distribuição das espécies, além de apontar necessidades de monitoramento de populações de interesse para a conservação. Ele também fortalece a conexão entre a avaliação do risco de extinção e o monitoramento da biodiversidade realizado pelo ICMBio, catalisando as políticas públicas voltadas à conservação de espécies.

Métodos

Este artigo concentra o diagnóstico em grupos da fauna que podem ser amostrados no Programa Monitora por protocolos básicos e avançados, considerando os componentes Florestal, Igarapé e Riacho, Ilha e, potencialmente, Campestre e Savânico (para detalhes sobre o Programa Monitora, vide [1][2][12]). Desta forma, serão consideradas espécies ameaçadas, Quase Ameaçada (NT) e Dados Insuficientes (DD) de grupos específicos de aves continentais e marinhas, mamíferos terrestres, libélulas e borboletas (Tabela 1; Apêndice 1).

Essa lista de espécies foi compilada a partir de bibliografia referente ao programa [13] e consulta à especialistas de centros de pesquisa e conservação do ICMBio (Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres, o CEMAVE, Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros, o CENAP e Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros, CPB).

Os registros de ocorrência das espécies, bem como as categorias avaliadas, foram extraídos do Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE), versão 3.1. Apenas espécies com suas categorias de risco de extinção validadas até 2023 pelo ICMBio foram incluídas nas análises. Cabe ressaltar que o risco de extinção aqui aplicado reflete a avaliação técnico-científica mais recente possível, mesmo que a espécie ainda não tenha sido incluída na lista oficial de espécies ameaçadas vigente (Veja [5] para detalhes sobre o processo de avaliação de risco de extinção conduzido pelo ICMBio). Excepcionalmente, subespécies são avaliadas quanto ao seu risco de extinção [14]. Uma vez que o número de casos neste estudo foi baixo (14 subespécies), considerando que representam uma entidade taxonômica singular e por questão de simplicidade linguística, elas serão referidas como “espécies” no texto.

As UCs que já aderiram ao Programa Monitora e estão em diferentes fases de implementação foram compiladas a partir do Painel de Informações do ICMBio [1]. Essas e as demais UCs federais foram plotadas no mapa do Brasil a partir da base de shapefiles disponíveis na página de dados geoespaciais no portal do ICMBio (https://www.gov.br/icmbio/pt-br/assuntos/dados_geoespaciais/mapa-tematico-e-dados-geoestatisticos-das-unidades-de-conservacao-federais). Os registros de ocorrência das espécies ameaçadas, bem como as NT e DD constantes na base de dados do SALVE, foram então plotadas nesse mapa e apenas os registros dentro de UCs federais foram considerados. UCs estaduais, municipais e privadas não foram incluídas na análise, uma vez que essas informações não se encontravam consolidadas e disponíveis.

Para cada grupo taxonômico foi confrontada a sobreposição das espécies registradas por um diagrama de Venn, segundo três situações: 1) registro em UC participante do Monitora; 2) registro em UC não participante do Monitora; e 3) registro externo à UCs federais.

Resultados

Foram identificadas 273 espécies da fauna com amostragem prevista nos componentes do Programa Monitora abordados neste artigo (Tabela 1), nas categorias CR, EN, VU, NT e DD, sendo 20 espécies de aves terrestres, 10 de aves marinhas, 82 de mamíferos (44 primatas, 14 carnívoros e 24 outros mamíferos), 129 de libélulas e 32 de borboletas frugívoras (Figura 1; Apêndice 1).

Ao todo 107 espécies no SALVE têm registro de ocorrência em UCs que participam do Programa Monitora, e 114 espécies em UCs fora do programa (Figura 2). Carajathemis simone (Odonata, Libellulidae – DD) e Praepedaliodes sequeirae (Lepidoptera, Nymphalidae – CR) foram registradas exclusivamente em UCs do Monitora: a primeira na Floresta Nacional de Carajás, e a segunda no Parque Nacional de Itatiaia. Já Cavia intermedia (Rodentia, Caviidae – CR) ocorreu exclusivamente em UC fora do Programa, Subprograma Terrestre (na Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca). Duas outras espécies não possuem registros de ocorrência fora de UCs federais, sendo que Forsterinaria itatiaia (Lepidoptera, Nymphalidae – VU) ocorre em uma UC do Monitora (PARNA Itatiaia), e outra fora do Programa (PARNA Caparaó), enquanto Castoraeschna corbeti (Odonata, Aeshnidae – DD) ocorre em duas UCs do Programa (FLONA Carajás e PARNA Serra da Canastra) e uma fora dele (PARNA Ubajara). Um total de 268 espécies possui registros de ocorrência fora de UCs federais, sendo que 137 ocorrem apenas fora de UCs (Figura 2).

Vinte e duas espécies com registros de ocorrên-cia em UCs do Programa não foram registradas em UCs federais fora do Programa: seis espécies de Odonata (todas DD), três borboletas frugívoras (duas NT e uma CR), duas aves continentais (ambas CR), três aves marinhas (todas CR) e oito mamíferos, dos quais um carnívoro (Leopardus munoai – EN) e sete primatas (um DD, um NT, dois VU, dois EN e um CR) (Figura 2). Por outro lado, 29 espécies não registradas em UCs que participam do Monitora ocorreram nas demais UCs federais: nove Odonata (todas DD), quatro borboletas frugívoras (uma DD, duas NT e uma EN), duas aves terrestres (uma EN e uma NT) e 14 espécies de mamíferos, dos quais nove primatas (dois NT, um VU, cinco EN e um CR) e cinco outros mamíferos (dois NT, dois VU e um CR) (Figura 2).

Resultados bem distintos em relação à ocorrência em UCs foram encontrados para insetos e vertebrados. Muitas das espécies de insetos não possuem registro em UCs, participantes ou não do Programa Monitora. Entre as libélulas, 110 espécies não foram registradas em UCs, das quais 105 são DD, três são NT (Aphylla scapula Gomphidae, Heteragrion tiradentense – Megapodagrionidae e Oxyagrion haematinum – Coenagrionidae) e duas CR (Fluminagrion taxaense e Forcepsioneura machadorum – Coenagrionidae) (Figura 2). No caso das borboletas frugívoras, 17 espécies não foram registradas em UCs, sendo que 11 espécies são DD, uma NT (Hamadryas velutina browni – Biblidinae, Ageroniini), duas VU (Morpho epistrophus nikolajewna – Satyrinae, Morphini e Pampasatyrus glaucope eberti – Satyrinae, Satyrini), e três EN (Dasyophthalma delanira – Satyrinae, Brassolini, Pampasatyrus glaucope glaucope – Satyrinae, Haeterini, e Yphthimoides iserhardi Satyrinae, Satyrini) (Figura 2; Apêndice 2).

Por outro lado, apenas 9% (n = 10) das 112 espécies de aves e mamíferos com amostragem prevista no Programa Monitora não foram registradas em UCs federais: a cutia Dasyprocta catrinae (Rodentia, Dasyproctidae – DD), o mocó-acrobata Kerodon acrobata (Rodentia, Caviidae – VU), o tapeti Sylvilagus brasiliensis (Lagomorpha, Leporidae – DD), o tatu-bola Tolypeutes matacus (Cingulata, Dasypodidae – NT), os cinco primatas Plecturocebus pallescens (Primates, Pitheciidae – DD), Cacajao novaesi (Primates, Pitheciidae – NT), Callicebus coimbrai (Primates, Pitheciidae – EN), Saguinus bicolor (Primates, Callitrichidae – EN) e Saimiri vanzolinii (Primates, Cebidae – EN) e a única ave, o aracuã-guarda-faca Ortalis remota (Galliformes, Cracidae – CR).

Discussão

O Programa Monitora vem coletando dados em campo desde 2014, gerando resultados que têm sido sistematizados e disponibilizados a partir de 2018 [15]. As interações entre os processos de monitoramento da biodiversidade e avaliação do risco de extinção têm ocorrido pontualmente, ressaltando a importância que a interação entre esses processos pode ter para a conservação da fauna e gestão das unidades de conservação federais. Como exemplos da integração desses processos, podemos citar o uso de informações de distribuição geográfica na categorização de espécies, como ocorrido para a libélula Phasmoneura janirae (Odonata, Protoneuridae), antes categorizada como DD, mas que a partir de novos registros em UCs do Monitora, componente Igarapé e Riacho, teve sua distribuição ampliada e sua avaliação modificada para Menos Preocupante (LC) [16].

Amostragens feitas no Monitora propiciaram, também, a ampliação do limite oriental da distribui-ção de Mico emiliae (Primates, Callitrichidae – LC), adicionando uma área de mais de 110.000 km2 na distribuição da espécie [17]. Isso evidencia o potencial do programa em gerar dados relevantes à avaliação do risco de extinção. De fato, o zogue-zogue Plecturocebus vieirai (Primates, Pitheciidae), categorizado anteriormente como DD, após o aporte de dados pelo Programa Monitora foi categorizado como LC [18].

Nos exemplos anteriores a informação foi utilizada na aplicação do critério B (tamanho da distribuição geográfica) [14], no entanto, o Programa Monitora pode gerar informações também acerca do critério A (redução do tamanho da população), ao permitir estimativas do número total de indivíduos e acompanhar a variação no tamanho e densidade de populações locais ao longo do tempo [11][19][20][21].

Considerando os grupos da fauna passíveis de amostragem pelo Programa Monitora citados neste estudo, fica evidente que há uma grande abrangência de vertebrados ameaçados, NT e DD em UCs federais, sejam elas participantes ou não do programa. De 112 espécies de vertebrados, apenas dez não possuem registros em UCs federais, das quais três são primatas do estado do Amazonas, com registros em UCs estaduais e municipais. Unidades de conservação estaduais do Amazonas contempladas pelo programa ARPA adotaram os mesmos protocolos do Programa Monitora, (https://www.funbio.org.br/programas_e_projetos/programa-arpa-funbio/ucs-apoiadas/) favorecendo sua aplicação em áreas onde essas espécies ocorrem, caso necessário. Por outro lado, Callicebus coimbrai (Primates, Pitheciidae), Kerodon acrobata (Rodentia, Caviidae) e Sylvilagus brasiliensis (Lagomorpha, Leporidae) estão presentes em UCs estaduais que ainda não adotaram o Programa Monitora. Dessa forma, o monitoramento dessas populações nas UCs depende de políticas regionais específicas e pode ser necessário estabelecer um diálogo entre esses estados e o Programa Monitora para integrar esforços de monitoramento. O tatu-bola Tolypeutes matacus (NT), o aracuã Ortalis remota (CR) e a cutia Dasyprocta catrinae (DD) não possuem registros em unidades de conservação públicas identificadas no SALVE.

Em contraste com os vertebrados, boa parte dos insetos incluídos neste estudo não foi registrada em UCs federais, participantes ou não do Programa Monitora, sendo 110 das 129 espécies de libélulas (85,3%) e dezessete das 32 espécies de borboletas frugívoras (53,1%). A maioria dessas espécies, que só tem registros fora de UCs, foi categorizada como DD: 105 de 110 libélulas e 11 das 17 borboletas frugívoras. A falta de informações adequadas para um enquadramento da maior parte das espécies de libélulas e borboletas em alguma categoria diferente de DD sugere que lacunas geográficas de conhecimento, ou déficit wallaceano, seguem ainda como um grande desafio para a conservação desses insetos [22][23]. A implementação do Programa Monitora em módulo avançado nas UCs ampliaria a possibilidade de novos registros de ocorrência de espécies, contribuindo de modo significativo com a avaliação do risco de extinção desses insetos.

Embora entre seus objetivos esteja “Fornecer subsídios para a avaliação do estado de conservação da fauna e flora brasileiras, para a implementação das estratégias de conservação das espécies ameaçadas de extinção ou com dados insuficientes para a avaliação” (IN ICMBio nº 02 de 2022) [3], o Programa Monitora foi construído de modo a ser um monitoramento adaptativo baseado em indicadores biológicos, de forma a permitir inferências sobre o estado da biodiversidade nas UCs [4]. Esse Programa não foi desenhado com foco necessariamente em espécies, de modo que não abrange todas as espécies ameaçadas, NT ou DD de vertebrados, tampouco de invertebrados. Há várias espécies que têm seu risco de extinção avaliado, mas que não são amostradas pelos protocolos previstos no Programa.

Mesmo entre as espécies que são passíveis de amostragem, há casos em que os dados não permitem uma avaliação de tamanho da população. Por exemplo, espécies ameaçadas de aves dos gêneros Crypturellus, Tinamus, Nothura e Penelope podem estar sub-representadas, uma vez que muitas vezes essas aves são identificadas somente até gênero no método de transecção linear (módulo básico do componente Florestal). Muitos cervídeos, canídeos e felídeos tendem a ser naturalmente raros, esquivos e noturnos, por isso não são amostrados adequadamente pelo método de transecção linear.

Ainda que o protocolo possa gerar informações sobre a ocorrência e distribuição dessas espécies, o módulo básico dificilmente consegue acessar o tamanho de suas populações, dadas as baixas taxas de avistamento. Nesses casos, o módulo avançado (armadilhas fotográficas) deveria ser empregado [11]. Da mesma forma, borboletas frugívoras (componente Florestal) e libélulas (componente Igarapé e Riacho) são amostradas no módulo básico somente em níveis supra específicos (tribos e subordens, respectivamente), e a identificação até espécie é feita apenas no módulo avançado desses componentes.

Conclusão

Os resultados deste estudo permitem que estratégias específicas sejam traçadas na interação entre o Programa Monitora e a avaliação do risco de extinção da fauna.

É fundamental promover a integração entre os sistemas de informação do Programa Monitora (SISMonitora) e o da avaliação do risco de extinção da fauna (SALVE), para que um fluxo bidirecional contínuo de informação seja estabelecido, benefi-ciando ambos os processos. Ao expandir o Programa Monitora para novas UCs é essencial levar em consideração a presença confirmada da fauna ameaçada, para melhor fundamentar a avaliação e as ações de conservação voltadas para essas espécies nas UCs onde elas estão inseridas.

Também é importante considerar no planeja-mento da expansão do Monitora a presença (confirmada ou provável) nas UCs de espécies NT que, embora não estejam em categoria de ameaça, podem se tornar ameaçadas no futuro próximo, bem como as espécies DD, cuja falta de informação dificulta a avaliação precisa do seu estado de conservação.

É necessário implementar o Programa Monitora em seus módulos básicos em UCs nas regiões de lacunas geográficas de conhecimento das espécies ameaçadas, bem como NT e DD, em locais dentro da distribuição potencial delas.
A implantação de módulos avançados do Monitora deve ser incentivada principalmente em regiões onde os dados coletados possam contribuir para a avaliação do risco de extinção da fauna, identificando tendências populacionais ao longo do tempo.

Considerando que 71% das áreas protegidas brasileiras possuem baixa densidade de amostragem (0 a 0,01 espécie por km2)[24], o Programa Monitora, devido à sua abrangência nacional cobrindo diferentes biomas e diversos grupos taxonômicos, é uma fonte rica de informações sobre a distribuição e o tamanho das populações de várias espécies da fauna. Essas características tornam o Monitora relevante para a avaliação do risco de extinção de uma parte muito importante da biodiversidade brasileira.

Por ser um programa de caráter contínuo e com amostragens regulares, ele permite acompanhar ao longo do tempo eventuais mudanças em populações de espécies ameaçadas, propiciando a implementação de ações específicas de conservação no território, como manejo e proteção. Assim, a intersecção entre as informações provenientes do monitoramento da biodiversidade, através do Programa Monitora, e as informações da avaliação do risco de extinção da fauna permite que sejam beneficiadas tanto as espécies quanto as unidades de conservação onde elas ocorrem.

Agradecimentos

Os autores agradecem a Gerson Buss (CPB/ICMBio) e Leandro Juen (UFPA), que forneceram informações valiosas sobre espécies cuja avaliação foi influenciada por dados do Programa Monitora. Enrico Bernard e Marcelo A.A. Pinheiro contribuíram com sugestões no processo de revisão. MU-P e CBH agradecem à Funape, WWF e ICMBio pela concessão das bolsas de apoio científico GEF Pró-espécies. AG agradece ao CNPq pela modalidade de bolsa SET-G.

Referências

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12. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade [homepage na internet). Monitoramento in situ da biodiversidade: Proposta para um Sistema Brasileiro de Monitoramento da Biodiversidade [acesso em 03 dez 2023]. Disponível em: https://www.gov.br/icmbio/pt-br/assuntos/monitoramento

13. Reis ML, Raíces DSL, Martins JVF, Sampaio R, Laranjeira TO, Constantino PAL. Guia de identificação de espécies alvo de aves e mamíferos [internet]. Brasília: ICMBio; 2015. [citado em 2024 jan. 30]. Disponível em: https://ava.icmbio.gov.br/mod/data/view.php?d=17&rid=3137

14. International Union for Conservation of Nature [homepage na internet]. IUCN Red List categories and criteria, version 3.1, second edition [accessed on 07 dec 2023]. Available at: https://www.iucnredlist.org/resources/categories-and-criteria

15. Sampaio AB, Alonso AC, Iserhard CA, Ribeiro DB, Andrade DFC, Junior EARC, Buss G, Souza JM, Ribeiro KT, Mendes KR, Reis ML, Fialho MS, Marini-Filho OJ, Galuppo SC, Souza TC. Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade - Programa Monitora, Subprograma Terrestre, componente Florestal: Relatório 2014-2018 [internet]. Brasília: ICMBio; 2021. [citado em 2024 jan. 4]. Disponível em: https://www.gov.br/icmbio/pt-br/assuntos/monitoramento/conteudo/relatorios/RelatorioFlorestal2014_2018.pdf

16. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Phasmoneura janirae Lencioni, 1999. Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade – SALVE. Brasília: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade; 2023 [acesso em 03 dez 2023]. Disponível em: https://salve.icmbio.gov.br/#/

17. Andrade RP, Mourthe I, Saccardi V, Hernández-Ruz EJ. Eastern extension of the geographic range of Mico emiliae. Acta Amaz. 2018 Set; 48: 257-260. doi: 10.1590/1809-4392201704392

18. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Plecturocebus vieirai Gualda-Barros, do Nascimento, do Amaral, 2012. Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade - SALVE. Brasília: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade; 2023 [acesso em 11 Abr 2025]. Disponível em: https://salve.icmbio.gov.br/#/

19. Mendonça EN, Lopes AMC, Albernaz ALK, Carvalho Jr EA. Avaliação da efetividade da Reserva Biológica do Gurupi na Conservação de Vertebrados Terrestres de Médio e Grande Porte. Biodivers Bras. 2021 Nov; 11(3). doi: https://doi.org/10.37002/biodiversidadebrasileira.v11i3.1769

20. Carvalho Jr EAR, Mendonça EN, Lopes AMC, Haugaasen T. Current status of the Critically Endangered Black-winged Trumpeter Psophia obscura in one of its last strongholds. Bird Conserv Int. 2023 July; 33: e12. doi:10.1017/S0959270922000077

21. Fialho MS, Gomes Filho A, Carvalho Jr EAR, Buss G, Reis ML, Silva MTB. Abundância e densidade de jacamins (Psophia spp.) em unidades de conservação na Amazônia brasileira. Biodivers. Bras. [Internet]. 2025; 15(2): 45-66. doi: 10.37002/biodiversidadebrasileira.v15i2.2519

22. Miguel TB, Calvão LB, Vital MVC, Juen L. A scientometric study of the order Odonata with special attention to Brazil. Int J Odonatol. 2017 mar; 20(1): 27-42. doi: 10.1080/13887890.2017.1286267

23. Shirai LT, Machado PA, Mota LL, Rosa AHB, Freitas AVL. DnB, the Database of Nymphalids in Brazil, with a Checklist for Standardized Species Lists. J Lepid Soc . 2019 Dec; 73(2): 93-108. doi: 10.18473/lepi.73i2.a4

24. Oliveira U, Soares-Filho BS, Paglia AP, Brescovit AD, Carvalho CJB, Silva DP, Rezende DT, Leite FSF, Batista JAN, Barbosa JPPP, Stehmann JR, Ascher JS, Vasconcelos MF, Marco P, Löwenberg-Neto P, Ferro VG, Santos AJ. Biodiversity conservation gaps in the Brazilian protected areas. Science Reports. 2017 Aug; p. 1-9. doi: 10.1038/s41598-017-08707-2

Tabela 1 – Alvos de monitoramento do Programa Monitora utilizados neste estudo.

Alvo de monitoramento

Ordens

Componentes do Programa Monitora*

Módulo necessário para ser utilizado na avaliação

Métodos de amostragem

Aves continentais

Galliformes, Gruiformes, Tinamiformes

Florestal

Básico e avançado

Transecção linear e armadilhas fotográficas

Aves marinhas

Charadriiformes, Phaethontiformes, Procellariiformes, Suliformes

Ilha

Básico

Censo de ninhos ativos

Mamíferos

Carnivora, Cetartiodactyla, Cingulata, Lagomorpha, Perissodactyla, Pilosa, Primates, Rodentia

Florestal

Básico e avançado

Transecção linear e armadilhas fotográficas

Libélulas

Odonata

Igarapé e Riacho

Avançado

Transecção linear

Borboletas frugívoras

Lepidoptera (Nymphalidae)

Florestal

Avançado

Armadilhas atrativas

* Os alvos libélulas, borboletas frugívoras, aves continentais e mamíferos são passíveis de amostragem no componente Campestre Savânico, no módulo avançado, e encontram-se em fase de teste (Para detalhes sobre o Programa Monitora, vide [1][2][12]).

Biodiversidade Brasileira – BioBrasil.

Fluxo Contínuo e Edições Temáticas:

• Sustentabilidade da Araucária

• Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade – Programa Monitora

n.2, 2025

http://www.icmbio.gov.br/revistaeletronica/index.php/BioBR

Biodiversidade Brasileira é uma publicação eletrônica científica do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) que tem como objetivo fomentar a discussão e a disseminação de experiências em conservação e manejo, com foco em unidades de conservação e espécies ameaçadas.

ISSN: 2236-2886

Figura 1 – Distribuição dos registros de ocorrência das espécies ameaçadas (CR, EN e VU), Quase Ameaçadas (NT) e Dados Insuficientes (DD) em Unidades de Conservação federais participantes e não participantes do Programa Monitora. A) Libélulas; B) Borboletas frugívoras; C) Aves continentais; D) Aves marinhas; E) Primatas; F) Outros mamíferos.

Figura 2 – Diagrama de Venn indicando presença de espécies ameaçadas (CR, EN e VU), Quase Ameaçadas (NT) e Dados Insuficientes (DD) em UCs Federais participantes (circunferência preta) e não participantes do Programa Monitora (circunferência cinza), e fora de UCs federais (circunferência vermelha). A) libélulas; B) borboletas frugívoras; C) aves continentais; D) aves marinhas; E) primatas; F) mamíferos carnívoros; G) outros mamíferos; e H) todos os grupos.

Apêndice 1 – Espécies com potencial de amostragem no Programa Monitora, componentes Florestal, Ilha, Igarapé e Riacho, com as respectivas categorias de risco de extinção da última avaliação técnico-científica, realizada pelo ICMBio.

Classe

Ordem

Família

Nome Científico

Categoria

Aves

Charadriiformes

Laridae

Sterna hirundinacea

Vulnerável (VU)

Thalasseus maximus

Em Perigo (EN)

Sternidae

Gygis alba

Quase Ameaçada (NT)

Galliformes

Cracidae

Aburria cujubi

Vulnerável (VU)

Aburria jacutinga

Em Perigo (EN)

Crax blumenbachii

Em Perigo (EN)

Crax fasciolata pinima

Criticamente em Perigo (CR)

Crax globulosa

Em Perigo (EN)

Ortalis remota

Criticamente em Perigo (CR)

Penelope jacucaca

Vulnerável (VU)

Penelope ochrogaster

Quase Ameaçada (NT)

Penelope pileata

Vulnerável (VU)

Penelope superciliaris alagoensis

Em Perigo (EN)

Odontophoridae

Odontophorus capueira plumbeicollis

Criticamente em Perigo (CR)

Gruiformes

Psophiidae

Psophia dextralis

Vulnerável (VU)

Psophia interjecta

Em Perigo (EN)

Psophia obscura

Criticamente em Perigo (CR)

Psophia viridis

Vulnerável (VU)

Phaethontiformes

Phaethontidae

Phaethon aethereus

Em Perigo (EN)

Phaethon lepturus

Em Perigo (EN)

Procellariiformes

Procellariidae

Pterodroma arminjoniana

Criticamente em Perigo (CR)

Puffinus lherminieri

Criticamente em Perigo (CR)

Suliformes

Fregatidae

Fregata minor

Criticamente em Perigo (CR)

Fregata trinitatis

Criticamente em Perigo (CR)

Sulidae

Sula sula

Em Perigo (EN)

Tinamiformes

Tinamidae

Crypturellus zabele

Vulnerável (VU)

Nothura minor

Em Perigo (EN)

Taoniscus nanus

Em Perigo (EN)

Tinamus solitarius

Quase Ameaçada (NT)

Tinamus tao

Vulnerável (VU)

Insecta

Lepidoptera

Nymphalidae

Anaea suprema

Vulnerável (VU)

Caeruleuptychia mare

Dados Insuficientes (DD)

Caeruleuptychia scripta

Dados Insuficientes (DD)

Carminda umuarama

Quase Ameaçada (NT)

Dasyophthalma delanira

Em Perigo (EN)

Dasyophthalma geraensis

Quase Ameaçada (NT)

Dasyophthalma vertebralis

Dados Insuficientes (DD)

Eunica marsolia marsolia

Quase Ameaçada (NT)

Foetterleia schreineri

Quase Ameaçada (NT)

Forsterinaria itatiaia

Vulnerável (VU)

Hamadryas velutina browni

Quase Ameaçada (NT)

Moneuptychia montana

Quase Ameaçada (NT)

Moneuptychia vitellina

Quase Ameaçada (NT)

Morpho epistrophus nikolajewna

Vulnerável (VU)

Morpho telemachus richardus

Dados Insuficientes (DD)

Narope denticulatus

Dados Insuficientes (DD)

Narope guilhermei

Dados Insuficientes (DD)

Orobrassolis latusoris

Dados Insuficientes (DD)

Orobrassolis ornamentalis

Em Perigo (EN)

Pampasatyrus glaucope boenninghauseni

Em Perigo (EN)

Pampasatyrus glaucope eberti

Vulnerável (VU)

Pampasatyrus glaucope glaucope

Em Perigo (EN)

Pampasatyrus reticulata gagarini

Em Perigo (EN)

Pampasatyrus reticulata reticulata

Quase Ameaçada (NT)

Paryphthimoides vestigiata

Dados Insuficientes (DD)

Pierella lena atlantica

Quase Ameaçada (NT)

Praepedaliodes sequeirae

Criticamente em Perigo (CR)

Yphthimoides bella

Dados Insuficientes (DD)

Yphthimoides iserhardi

Em Perigo (EN)

Yphthimoides nareta

Dados Insuficientes (DD)

Yphthimoides neomaenas

Dados Insuficientes (DD)

Yphthimoides viviana

Dados Insuficientes (DD)

Odonata

Aeshnidae

Castoraeschna corbeti

Dados Insuficientes (DD)

Castoraeschna decurvata

Dados Insuficientes (DD)

Castoraeschna margarethae

Dados Insuficientes (DD)

Neuraeschna maxima

Dados Insuficientes (DD)

Neuraeschna mina

Dados Insuficientes (DD)

Neuraeschna tapajonica

Dados Insuficientes (DD)

Calopterygidae

Mnesarete mariana

Dados Insuficientes (DD)

Mnesarete rhopalon

Dados Insuficientes (DD)

Coenagrionidae

Angelagrion fredericoi

Dados Insuficientes (DD)

Angelagrion nathaliae

Dados Insuficientes (DD)

Argia cyathigera

Dados Insuficientes (DD)

Argia funebris

Dados Insuficientes (DD)

Cyanallagma corbeti

Dados Insuficientes (DD)

Cyanallagma trimaculatum

Dados Insuficientes (DD)

Epipleoneura ottoi

Dados Insuficientes (DD)

Epipleoneura susanae

Dados Insuficientes (DD)

Fluminagrion taxaense

Criticamente em Perigo (CR) (PE)

Forcepsioneura machadorum

Criticamente em Perigo (CR)

Franciscobasis franciscoi

Dados Insuficientes (DD)

Fredyagrion siqueirai

Dados Insuficientes (DD)

Fredyagrion vriesianum

Dados Insuficientes (DD)

Idioneura celioi

Dados Insuficientes (DD)

Idioneura furieriae

Dados Insuficientes (DD)

Kiautagrion acutum

Dados Insuficientes (DD)

Leptagrion bocainense

Dados Insuficientes (DD)

Machadagrion dardanoi

Dados Insuficientes (DD)

Machadagrion garbei

Dados Insuficientes (DD)

Metaleptobasis longicauda

Dados Insuficientes (DD)

Metaleptobasis truncata

Dados Insuficientes (DD)

Minagrion caldense

Dados Insuficientes (DD)

Minagrion canaanense

Dados Insuficientes (DD)

Minagrion ribeiroi

Dados Insuficientes (DD)

Nathaliagrion porrectum

Dados Insuficientes (DD)

Oxyagrion egleri

Dados Insuficientes (DD)

Oxyagrion haematinum

Quase Ameaçada (NT)

Oxyagrion pseudocardinale

Dados Insuficientes (DD)

Oxyagrion zielmae

Dados Insuficientes (DD)

Phoenicagrion ibseni

Dados Insuficientes (DD)

Platystigma pronoti

Dados Insuficientes (DD)

Telebasis carvalhoi

Dados Insuficientes (DD)

Telebasis leptocyclia

Dados Insuficientes (DD)

Telebasis myrianae

Dados Insuficientes (DD)

Telebasis pataxo

Dados Insuficientes (DD)

Tuberculobasis guarani

Dados Insuficientes (DD)

Tuberculobasis karitiana

Dados Insuficientes (DD)

Tuberculobasis yanomami

Dados Insuficientes (DD)

Corduliidae

Aeschnosoma heliophila

Dados Insuficientes (DD)

Cordulisantosia marshalli

Dados Insuficientes (DD)

Cordulisantosia newtoni

Dados Insuficientes (DD)

Lauromacromia bedei

Dados Insuficientes (DD)

Lauromacromia flaviae

Dados Insuficientes (DD)

Lauromacromia luismoojeni

Dados Insuficientes (DD)

Lauromacromia melanica

Dados Insuficientes (DD)

Navicordulia amazonica

Dados Insuficientes (DD)

Navicordulia atlantica

Dados Insuficientes (DD)

Navicordulia kiautai

Dados Insuficientes (DD)

Navicordulia longistyla

Dados Insuficientes (DD)

Navicordulia miersi

Dados Insuficientes (DD)

Neocordulia gaucha

Dados Insuficientes (DD)

Neocordulia matutuensis

Dados Insuficientes (DD)

Neocordulia santacatarinensis

Dados Insuficientes (DD)

Gomphidae

Aphylla brevipes

Dados Insuficientes (DD)

Aphylla linea

Dados Insuficientes (DD)

Aphylla scapula

Quase Ameaçada (NT)

Archaeogomphus globulus

Dados Insuficientes (DD)

Archaeogomphus vanbrinkae

Dados Insuficientes (DD)

Brasiliogomphus uniseries

Dados Insuficientes (DD)

Ebegomphus schroederi

Dados Insuficientes (DD)

Gomphoides perdita

Dados Insuficientes (DD)

Idiogomphoides demoulini

Dados Insuficientes (DD)

Idiogomphoides emmeli

Dados Insuficientes (DD)

Idiogomphoides ictinia

Dados Insuficientes (DD)

Phyllocycla hamata

Dados Insuficientes (DD)

Phyllocycla malkini

Dados Insuficientes (DD)

Phyllocycla medusa

Dados Insuficientes (DD)

Phyllocycla murrea

Dados Insuficientes (DD)

Phyllocycla sordida

Dados Insuficientes (DD)

Phyllogomphoides audax

Dados Insuficientes (DD)

Phyllogomphoides calverti

Dados Insuficientes (DD)

Phyllogomphoides cepheus

Dados Insuficientes (DD)

Phyllogomphoides praedatrix

Dados Insuficientes (DD)

Praeviogomphus proprius

Dados Insuficientes (DD)

Progomphus aberrans

Dados Insuficientes (DD)

Progomphus basalis

Dados Insuficientes (DD)

Progomphus bidentatus

Dados Insuficientes (DD)

Progomphus elegans

Dados Insuficientes (DD)

Progomphus fassli

Dados Insuficientes (DD)

Progomphus geijskesi

Dados Insuficientes (DD)

Progomphus microcephalus

Dados Insuficientes (DD)

Progomphus perithemoides

Dados Insuficientes (DD)

Progomphus victor

Dados Insuficientes (DD)

Tibiagomphus noval

Dados Insuficientes (DD)

Zonophora diversa

Dados Insuficientes (DD)

Heteragrionidae

Heteragrion calafatiensis

Dados Insuficientes (DD)

Lestidae

Lestes fernandoi

Dados Insuficientes (DD)

Lestes quadristriatus

Dados Insuficientes (DD)

Libellulidae

Brechmorhoga goncalvensis

Dados Insuficientes (DD)

Carajathemis simone

Dados Insuficientes (DD)

Elasmothemis schubarti

Dados Insuficientes (DD)

Erythrodiplax diversa

Dados Insuficientes (DD)

Erythrodiplax tenuis

Dados Insuficientes (DD)

Garrisonia aurindae

Dados Insuficientes (DD)

Gynothemis aurea

Dados Insuficientes (DD)

Macrothemis capitata

Dados Insuficientes (DD)

Macrothemis lauriana

Dados Insuficientes (DD)

Macrothemis newtoni

Dados Insuficientes (DD)

Macrothemis valida

Dados Insuficientes (DD)

Micrathyria debilis

Dados Insuficientes (DD)

Oligoclada calverti

Dados Insuficientes (DD)

Oligoclada waikinimae

Dados Insuficientes (DD)

Orionothemis felixorioni

Dados Insuficientes (DD)

Perithemis capixaba

Dados Insuficientes (DD)

Megapodagrionidae

Heteragrion cyane

Dados Insuficientes (DD)

Heteragrion dorsale

Dados Insuficientes (DD)

Heteragrion flavovittatum

Dados Insuficientes (DD)

Heteragrion gracile

Dados Insuficientes (DD)

Heteragrion mantiqueirae

Dados Insuficientes (DD)

Heteragrion muryense

Dados Insuficientes (DD)

Heteragrion ochraceum

Dados Insuficientes (DD)

Heteragrion ovatum

Dados Insuficientes (DD)

Heteragrion thais

Dados Insuficientes (DD)

Heteragrion tiradentense

Quase Ameaçada (NT)

Perilestidae

Perilestes minor

Dados Insuficientes (DD)

Protoneuridae

Amazoneura juruaensis

Dados Insuficientes (DD)

Forcepsioneura garrisoni

Dados Insuficientes (DD)

Forcepsioneura grossiorum

Dados Insuficientes (DD)

Neoneura anaclara

Dados Insuficientes (DD)

Neoneura jurzitzai

Dados Insuficientes (DD)

Neoneura moorei

Dados Insuficientes (DD)

Mammalia

Carnivora

Canidae

Atelocynus microtis

Vulnerável (VU)

Chrysocyon brachyurus

Vulnerável (VU)

Lycalopex vetulus

Quase Ameaçada (NT)

Speothos venaticus

Vulnerável (VU)

Felidae

Herpailurus yagouaroundi

Vulnerável (VU)

Leopardus braccatus

Em Perigo (EN)

Leopardus geoffroyi

Vulnerável (VU)

Leopardus guttulus

Em Perigo (EN)

Leopardus munoai

Em Perigo (EN)

Leopardus tigrinus

Em Perigo (EN)

Leopardus wiedii

Vulnerável (VU)

Panthera onca

Vulnerável (VU)

Puma concolor

Quase Ameaçada (NT)

Mustelidae

Pteronura brasiliensis

Em Perigo (EN)

Cetartiodactyla

Cervidae

Blastocerus dichotomus

Vulnerável (VU)

Mazama americana

Dados Insuficientes (DD)

Mazama jucunda

Quase Ameaçada (NT)

Mazama nana

Vulnerável (VU)

Mazama nemorivaga

Dados Insuficientes (DD)

Odocoileus virginianus

Dados Insuficientes (DD)

Ozotoceros bezoarticus bezoarticus

Vulnerável (VU)

Tayassuidae

Tayassu pecari

Vulnerável (VU)

Cingulata

Dasypodidae

Priodontes maximus

Vulnerável (VU)

Tolypeutes matacus

Quase Ameaçada (NT)

Tolypeutes tricinctus

Em Perigo (EN)

Lagomorpha

Leporidae

Sylvilagus brasiliensis

Dados Insuficientes (DD)

Sylvilagus tapetillus

Vulnerável (VU)

Perissodactyla

Tapiridae

Tapirus terrestris

Quase Ameaçada (NT)

Pilosa

Bradypodidae

Bradypus torquatus

Vulnerável (VU)

Cyclopedidae

Cyclopes rufus

Vulnerável (VU)

Megalonychidae

Choloepus hoffmanni

Quase Ameaçada (NT)

Myrmecophagidae

Myrmecophaga tridactyla

Vulnerável (VU)

Primates

Aotidae

Aotus azarae

Quase Ameaçada (NT)

Atelidae

Alouatta belzebul

Vulnerável (VU)

Alouatta caraya

Vulnerável (VU)

Alouatta discolor

Vulnerável (VU)

Alouatta guariba

Em Perigo (EN)

Alouatta ululata

Em Perigo (EN)

Ateles belzebuth

Vulnerável (VU)

Ateles chamek

Em Perigo (EN)

Ateles marginatus

Em Perigo (EN)

Brachyteles arachnoides

Em Perigo (EN)

Brachyteles hypoxanthus

Criticamente em Perigo (CR)

Lagothrix lagothricha

Vulnerável (VU)

Callitrichidae

Callithrix aurita

Em Perigo (EN)

Callithrix flaviceps

Criticamente em Perigo (CR)

Callithrix kuhlii

Quase Ameaçada (NT)

Leontopithecus caissara

Em Perigo (EN)

Leontopithecus chrysomelas

Vulnerável (VU)

Leontopithecus chrysopygus

Em Perigo (EN)

Leontopithecus rosalia

Em Perigo (EN)

Mico marcai

Quase Ameaçada (NT)

Mico rondoni

Quase Ameaçada (NT)

Saguinus bicolor

Em Perigo (EN)

Saguinus ursulus

Quase Ameaçada (NT)

Cebidae

Cebus kaapori

Criticamente em Perigo (CR)

Saimiri vanzolinii

Em Perigo (EN)

Sapajus cay

Vulnerável (VU)

Sapajus flavius

Em Perigo (EN)

Sapajus libidinosus

Vulnerável (VU)

Sapajus nigritus

Quase Ameaçada (NT)

Sapajus robustus

Em Perigo (EN)

Sapajus xanthosternos

Em Perigo (EN)

Pitheciidae

Cacajao melanocephalus

Quase Ameaçada (NT)

Cacajao novaesi

Quase Ameaçada (NT)

Cacajao ucayalii

Dados Insuficientes (DD)

Callicebus barbarabrownae

Em Perigo (EN)

Callicebus coimbrai

Em Perigo (EN)

Callicebus nigrifrons

Vulnerável (VU)

Callicebus personatus

Vulnerável (VU)

Chiropotes satanas

Em Perigo (EN)

Chiropotes utahickae

Vulnerável (VU)

Plecturocebus bernhardi

Vulnerável (VU)

Plecturocebus brunneus

Vulnerável (VU)

Plecturocebus grovesi

Em Perigo (EN)

Plecturocebus pallescens

Dados Insuficientes (DD)

Rodentia

Caviidae

Cavia intermedia

Criticamente em Perigo (CR)

Cavia magna

Quase Ameaçada (NT)

Kerodon acrobata

Vulnerável (VU)

Dasyproctidae

Dasyprocta catrinae

Dados Insuficientes (DD)

Erethizontidae

Coendou prehensilis

Quase Ameaçada (NT)

Coendou speratus

Vulnerável (VU)