Espécies arbóreas multifuncionais no estabelecimento de sistema agroflorestal sucessional na floresta de araucária
Marcelo da Silva Irmão1*
https://orcid.org/0009-0007-9982-7321
* Contato principal
Karine Louise dos Santos1
https://orcid.org/0000-0003-0615-1574
Alexandre Siminski1
https://orcid.org/0000-0001-6141-6040
Maurício Sedrez dos Reis1
https://orcid.org/0000-0003-1331-3367
1 Universidade Federal de Santa Catarina/UFSC, Curitibanos/SC, Brasil. <m.s.irmao@grad.ufsc.br, karine.santos@ufsc.br, alexandre.siminski@ufsc.br, msedrez@gmail.com>.
RESUMO – Entre as possibilidades de conciliação da produção agrícola e florestal com a resiliência dos ecossistemas naturais, figuram os sistemas agroflorestais (SAFs) por sua ampla capacidade de fornecimento de serviços ambientais. No entanto, para a floresta ombrófila mista (FOM) ou floresta de araucária, são escassos os estudos sobre composição e estruturação espaço-temporal de SAFs, especialmente aqueles que levem em consideração os traços funcionais mensuráveis do componente arbóreo. Traços funcionais são caracteres que revelam a aptidão das espécies em sua estratégia evolutiva, sendo reflexo direto do ambiente em que elas são inseridas. A mensuração desses traços, como a área folia específica e a densidade da madeira, revelam as relações ecológicas existentes entre o meio e as espécies, permitindo agrupá-las a partir da proximidade de seus traços, formando grupos funcionais. A identificação desses grupos é útil no manejo agroecológico em sistemas produtivos, onde a adequada inserção espaço-temporal das espécies pode favorecer suas aptidões e, portanto, potencializar a produção agroflorestal. Assim, este trabalho objetivou contribuir com a identificação de espécies fornecedoras de serviços ambientais na FOM, propondo a estruturação de sistemas agroflorestais sucessionais por meio dos traços funcionais mensurados das espécies encontradas. A pesquisa se deu por meio de revisão sistemática, encontrando um total de 29 referências que atenderam aos critérios. As espécies descritas na literatura permitiram a configuração de dois modelos de SAFs para a FOM, um para espécies consideradas aquisitivas, outro para espécies consideradas conservativas, abarcando 27 espécies com usos potenciais, divididas em sete grupos funcionais.
Palavras-chave: Agrofloresta; ecologia; traços funcionais; espécies nativas.
Multifunctional tree species in the establishment of a successional agroforestry system in the araucaria forest
ABSTRACT – Among the possibilities for reconciling agricultural and forestry production with the resilience of natural ecosystems, agroforestry systems (AFS) are included due to their broad capacity to provide environmental services. However, for mixed ombrophilous forest (MOF) or araucaria forest, studies on the composition and spatial-temporal structuring of AFS are scarce, especially those that take into account the measurable functional traits of the tree component. Functional traits are characters that reveal the aptitude of species in their evolutionary strategy, being a direct reflection of the environment in which they are inserted. The measurement of these traits, such as the specific leaf area and wood density, reveal the ecological relationships between the environment and the species, allowing them to be grouped based on the proximity of their traits, forming functional groups. The identification of these groups is useful in agroecological management in production systems, where the adequate spatial-temporal insertion of species can favor their aptitudes and, therefore, enhance agroforestry production. Thus, this study aimed to contribute to the identification of species that provide environmental services in the MOF, proposing the structuring of successional agroforestry systems through the measured functional traits of the species found. The research was carried out through a systematic review, finding a total of 29 references that met the criteria. The species described in the literature allowed the configuration of two AFS models for the MOF, one for species considered acquisitive, the other for species considered conservative, covering 27 species with potential uses, divided into seven functional groups.
Keywords: Agroforestry; ecology; functional traits; native species.
Especies arbóreas multifuncionales en el establecimiento de un sistema agroforestal sucesional en el bosque de araucária
RESUMEN – Entre las posibilidades de conciliar la producción agropecuaria y forestal con la resiliencia de los ecosistemas naturales se encuentran los sistemas agroforestales (SAFs) por su amplia capacidad para proveer servicios ambientales. Sin embargo, para el bosque mixto ombrófilo (BOM) o Bosque de Araucarias, los estudios sobre la composición y estructuración espacio-temporal de los SAF son escasos, especialmente aquellos que tienen en cuenta los rasgos funcionales medibles del componente arbóreo. Los rasgos funcionales son caracteres que revelan la aptitud de las especies en su estrategia evolutiva, siendo un reflejo directo del ambiente en el que están insertas. La medición de estos caracteres, como el área foliar específica y la densidad de la madera, revela las relaciones ecológicas que existen entre el ambiente y las especies, permitiendo agruparlas en función de la proximidad de sus caracteres, formando grupos funcionales. La identificación de estos grupos es útil en el manejo agroecológico en sistemas de producción, donde la adecuada inserción espacio-temporal de las especies puede favorecer sus aptitudes y, por tanto, potenciar la producción agroforestal. Así, este trabajo tuvo como objetivo contribuir a la identificación de especies proveedoras de servicios ambientales en la BOM, proponiendo la estructuración de sistemas agroforestales sucesionales a través de la medición de caracteres funcionales de las especies encontradas. La investigación se realizó a través de una revisión sistemática, encontrando un total de 29 referencias que cumplieron los criterios. Las especies descritas en la literatura permitieron configurar dos modelos de SAFs para BOM, uno para especies consideradas adquisitivas, otro para especies consideradas conservadoras, abarcando 27 especies con usos potenciales, divididas en siete grupos funcionales.
Palabras clave: Agroforestería; ecología; caracteres funcionales; especies nativas.
Recebido em 30/04/2024 – Aceito em 27/03/2025
Como citar:
Irmão MS, Santos KL, Siminski A, Reis MS. Espécies arbóreas multifuncionais no estabelecimento de sistema agroflorestal sucessional na floresta de araucária. Biodivers. Bras. [Internet]. 2025; 15(2): 22-40. doi: 10.37002/biodiversidadebrasileira.v15i2.2608
Introdução
A floresta ombrófila mista (FOM) é uma ecorregião do bioma Mata Atlântica marcada pela presença do pinheiro-brasileiro Araucaria angustifolia (Bertol.) associado a angiospermas das famílias Myrtaceae, Lauraceae e outras [1][2]. Está presente no Sul e Sudeste do Brasil, associada a altas altitudes e clima Cfb, de invernos frios com geadas severas, e chuvas bem distribuídas ao longo do ano [3]. A elevada altitude reduz a temperatura média e influencia negativamente na formação de biomassa vegetal, favorecendo a rusticidade da araucária em detrimento de espécies latifoliadas tropicais e equatoriais [3], levando a FOM a atingir originalmente uma extensão total de 200.000 km2 [4][5][6][7][8][9], com considerável endemismo vegetal [10][11][12].
Contudo, a partir do século XX, o potencial madeireiro dessa formação florestal foi explorado em larga escala, tornando espécies como araucária, imbuia e canela alvos de exportação para suprir demandas de fora de seu ecossistema [7]. Com o exaurimento da floresta, surgiram iniciativas pela implantação de espécies exóticas com interesse madeireiro, com destaque para o gênero Pinus sp. [7][13], além da suspensão da exploração madeireira de espécies ameaçadas no bioma Mata Atlântica [14]. Em função dessa exploração predatória, a FOM ocupa atualmente apenas 12% de seu território original [6]. Em Santa Catarina, a FOM está restrita a fragmentos de até 50 ha [4], que juntos representam 82% do total dos fragmentos [4]. Mudanças no uso da terra são a principal causa de fragmentação da FOM, transformando a paisagem originalmente florestal em mosaicos de agricultura, silvicultura e pastagem [7], prejudicando os fluxos gênicos da biodiversidade vegetal e animal. Com isso, cerca de 5,3% do total de espécies arbóreas da FOM estão ameaçadas de extinção, sem considerar outras formas de vida [2]. Uma vez que essas conversões de área substituem a floresta por áreas de produção agrícola, os sistemas agroflorestais figuram como alternativa, na medida em que buscam integrar o componente agrícola, animal e arbóreo em um sistema coeso e biodiverso, onde as árvores não apenas são incluídas, evitando desflorestamentos de áreas nativas, mas também ganham destaque por sua capacidade de favorecer as condições edafoclimáticas do sistema [15][16].
A presente pesquisa, portanto, se insere no contexto de fomentar alternativas ao uso e restauração de fragmentos da FOM, objetivando indicar espécies nativas que apresentem usos potenciais, caracterizá-las do ponto de vista dos traços funcionais e, com isso, compor modelos de sistemas agroflorestais preocupados com a sucessão das espécies no tempo.
Os traços funcionais dizem respeito aos caracteres morfológicos, fenológicos, ecofisiológicos, reprodutivos e/ou anatômicos desenvolvidos pelas plantas em sua estratégia evolutiva em resposta aos filtros do ambiente [17][18]. Nesse sentido, os traços funcionais desvelam a aptidão (“fitness”) das espécies, resultando em efeitos diretos e/ou indiretos no crescimento, na reprodução e na sobrevivência das espécies [17][19][20]. Os traços funcionais são preditores mensuráveis do funcionamento dos ecossistemas, variando conforme o contexto edafoclimático [21][22][23][24][25][26][27]. Por isso, seu entendimento é útil na composição de agroecossistemas resilientes.
Assim, os objetivos específicos da presente pesquisa foram: (1) obter uma lista de espécies de ocorrência na FOM que apresentem usos potenciais; (2) caracterizar essas espécies por meio de seus traços funcionais mensuráveis; e (3) apresentar uma proposta de SAF apropriado para o contexto regional da FOM.
Metodologia
A partir da pergunta direcionadora “como se comportam funcional e ecologicamente as espécies potenciais na floresta ombrófila mista?”, elaborou-se a revisão sistemática em bancos de dados como Google Acadêmico, Web of Science, Scopus, Scielo, Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações, repositórios de instituições de ensino e pesquisa, bem como livros consagrados, fazendo-se uso dos operadores booleanos “AND”, “OR”, “*” e “?” para combinar termos úteis para a pesquisa [28], como “fuctional traits”, “Araucaria Forest”, “traits ecology”, “Mata Atlântica”, “estratégia ecológica”, “alocação de recurso” e eventualmente nomes popular e científico das espécies. Dentre os critérios de inclusão estão: ser espécie comumente encontrada na FOM, que forneça múltiplos serviços ambientais e que tenham traços funcionais e/ou sucessionais descritos [15][29].
Os traços priorizados foram aqueles que melhor separam as espécies em grupos e que são de mais fácil mensuração, a saber: (1) área foliar específica (AFE, em mm².mg-1), dicotomizada em folha coriácea, aquelas em que AFE < 13,6 mm².mg-1, e membranácea, aquelas em que AFE > 13,6 mm².mg-1; (2) densidade básica da madeira (DM em g.cm³) e (3) síndrome de dispersão, dividida em zoocórica, autocórica e anemocórica. Isto sem ignorar outros traços úteis, como a massa individual de semente, altura máxima potencial e a classificação sucessional [29][30]. O conjunto de todos os traços permite dicotomizar as espécies globalmente em aquisitivas, aquelas que investem em produtividade, e conservativas, aquelas que investem em persistência [19][21][30].
Resultados e Discussões
Traços funcionais
O estado da arte dos estudos sobre traços funcionais das espécies da FOM foi analisado até o ano de 2021 por Mazon [30], em cujo trabalho relataram-se ao todo 14 estudos distribuídos entre Paraná [31], Rio Grande do Sul [32][33][34][35][36][37][38] e Santa Catarina [20] [39][40][41][42][43]. No entanto, a presente pesquisa encontrou mais 14 estudos, sendo dois no Paraná [44][45], quatro no Rio Grande do Sul [46][47][48][49], cinco em Santa Catarina [50][51][52][53][54] e três estudos abrangentes [24][25][35], além de um banco de dados online de acesso livre [55]. Apesar disso, os estudos com traços no Planalto Serrano Catarinense são restritos [20][30][40].
Em geral, a AFE está relacionada com a taxa fotossintética das espécies, revelando sua demanda por luz [30]. A densidade da madeira, por sua vez, se relaciona com o suporte oferecido para a copa, determinando a longevidade dos indivíduos [21][30]. A massa da semente fornece informações sobre a capacidade da espécie dispersar-se e estabelecer-se [30]. A altura máxima potencial expõe a capacidade da espécie de competir por luz, além de favorecer sua dispersão. No que concerne à síndrome de dispersão, sementes anemocóricas são mais leves e costumam indicar espécies aquisitivas, enquanto sementes pesadas indicam espécies conservativas [30]. Há, porém um gradiente de diferentes grupos funcionais, a saber: pioneiras aquisitivas, secundárias facultativas, dispersas pelo vento, tardias de pequeno e grande porte [30].
Lista de espécies potenciais e caracterização funcional
A listagem a seguir (Tabela 1) permite observar que as famílias Myrtaceae e Fabaceae são as que têm maior influência sobre a estruturação do sistema. Em seguida elas são caracterizadas conforme seus traços [17][18][56].
O conjunto de espécies e famílias identificadas visam reproduzir a diversidade natural da FOM [1] e, sobretudo, a diversidade de serviços que a floresta presta [28] (Tabela 2).
Mirtáceas são de grande importância na FOM [64][65][66][67][68][69]. Em geral, são espécies que compõem o baixo estrato arbóreo [2], mas que se destacam pela qualidade da madeira e produção de frutos [60][70][71]. Seu fuste tortuoso e copa densa lhes confere uso como quebra-vento [58][59]. Além disso, são espécies de densidade de madeira média a muito alta [57], típico de espécies conservativas com aptidão para tolerar a pouca disponibilidade de recursos, como a escassez luminosa no interior da floresta [20][30][44][53][55][57]. No entanto, são espécies capazes de se desenvolver a pleno sol, e por isso agrupam-se como secundárias facultativas [29][30][58][59].
Indivíduos da família Fabaceae desta lista, cujas espécies Ingá e Pata-de-vaca são exemplares, também apresentam uso como quebra-vento [58][59][72]. Porém, destacam-se por sua associação com micro-organismos fixadores de nitrogênio [73][74], comportamento ecológico pioneiro [58][74][75][76][77], crescimento relativamente rápido e rusticidade [77][78][79][80][81]. Em suma, são facilitadoras da sucessão, pois melhoram os atributos edafoclimáticos do sistema [28]. Ao lado da aroeira-pimenteira (Schinus terebinthifolius Raddi, Anacardiaceae), enquadram-se como pioneiras aquisitivas [30][43][52][82][83][84].
Destaca-se ainda a Bracatinga (Mimosa scabrella Benth., Fabaceae), por sua gama de serviços ambientais, por seu comportamento aquisitivo, rústico, heliófilo e alta deposição de matéria orgânica e nitrogênio, tornando-a uma espécie de grande importância para SAFs na FOM [77][82][85][86][87][88][89][90]. É uma árvore de porte médio com alta demanda por luz, alta capacidade de colonizar e dominar terrenos nus pela baixa massa individual de semente, de apenas 0,0169 g em média, além de dispersão autocórica e dormência. Possui longevidade reduzida, de apenas 30 anos, com alta mortalidade [30][53]. Por tudo isso, é uma pioneira intensamente aquisitiva [30] ou, em outras palavras, uma “pioneira extrema” [34].
As espécies selecionadas da família Bignoniaceae, por outro lado, são de madeira pesada [57], com alta densidade básica [30] e síndrome de dispersão anemocórica [58], com tendência à baixa AFE [30]. Sua a altura máxima potencial, de 20 a 30 m, as leva a competir pelo dossel, investindo energia em troncos reforçados para suportar a copa; são, portanto, conservativas [1][30]. Nesse grupo encontram-se espécies potenciais listadas como ipê-amarelo (Handroanthus albus (Cham.) Mattos, Bignoniaceae) e cedro (Cedrela fissilis Vell., Meliaceae), e não listadas, como o angico (Parapiptadenia rigida (Benth.) Brenan, Fabaceae) e carne-de-vaca (Clethra scabra Pers., Clethraceae) [30]. A exceção é a pioneira caroba, que apresenta folhas membranáceas, madeira leve e massa de semente extremamente baixa de 0,007g (Tabela 3), sendo este último o atributo que distingue este grupo: o das dispersas pelo vento [30].
Na família das Lauraceae a indicação é composta por espécies de madeira pesada e baixa AFE (Tabela 3). Diferem das Bignoniaceae por possuírem sementes pesadas dispersas principalmente pela fauna, o que indica que seus nichos se dão em ecossistemas mais complexos [30][33][40][41][50][53][58][59]. Sua alta densidade de madeira sugere uma estratégia focada em longevidade, porém dependente de sombreamento nas fases iniciais [30]. São espécies a serem inseridas em um estágio sucessional mais maduro, quando o dossel já estiver ocupado e o sistema dispor de considerável diversidade vegetal, animal e sombreamento. Classificam-se, portanto, como tardias de grande porte. Pode-se incluir também espécies do gênero Nectandra.
Arecaceae está representada pelo butiá-da-serra e o jerivá, ambas fornecem fruto, fibras e ornamen-tação. Embora existam evidências da ocorrência do butiá no interior da FOM [27][91], a escassez de dados de seus traços inviabiliza sua classificação [27][91][92], mas em geral é espécie resistente a geadas na fase juvenil que prefere ambientes abertos com ampla disponibilidade de luz [58].
A erva-mate (Ilex paraguariensis A.St.-Hil., Aquifoliaceae) é uma espécie relevante no planalto sul-brasileiro, despontando como produto florestal não-madeireiro de alto valor [93]. Nas caívas, a erva-mate é sombreada pela Araucária e manejada no interior da FOM, mantendo-se com baixa estatura pelas podas frequentes [94]. É espécie alocada entre as tardias de pequeno porte, de interior de floresta, e por isso expostas à pouca incidência luminosa e à competição [30]. Nesse mesmo grupo encontra-se a cataia (Drimys brasiliensis Miers, Winteraceae).
Araucária é a espécie central da FOM [1][3][4][5][6][7][8][9]. Com a maior quantidade de referên-cias sobre seus traços funcionais, é tão singular que é disposta isoladamente como pioneira conservativa ou longeva, posto que não consegue se desenvolver sombreada, aloca grandes recursos na semente e pode chegar a centenas de anos [30]. É uma espécie rústica de ecossistema extremo, que sempre buscará o estrato emergente [20][40][43][50][53].
Louro-pardo (Cordia trichotoma, (Vell.) Arráb. ex Steud., Boraginaceae) é uma espécie de interesse silvicultural por seu rápido crescimento e formato de fuste retilíneo [58]. Tem potencial para sistemas agroflorestais [95], especialmente para sombreamento de erva-mate [95][96][97] e por associação com fungos micorrízicos [58]. Porém não foram encon-trados dados dos traços aqui analisados (Tabela 3), assim como para espinheira-santa (Maytenus ilicifolia Martius ex Reissek, Celastraceae).
Espécies sobre as quais a literatura não forneceu dados não foram classificadas, uma vez que os dados de traços explicam padrões de crescimento e sobrevivência necessários para classificá-las [98]. Espécies de potencial econômico que se encontram ainda sem traços funcionais descritos incluem araçá, butiá-da-serra, louro-pardo e espinheira-santa, o que acaba por reforçar a necessidade de pesquisa em mensuração a campo dos traços dessas e de outras espécies nativas.
Proposta de sistema agroflorestal
A partir da seleção e caracterização das espécies, são propostos dois modelos de sistema agroflorestal em função da dicotomia do componente arbóreo entre aquisitivas e conservativas [19][21].
Aquisitivas – Modelo 1
As espécies aquisitivas irão compor um sistema de baixa maturidade sucessional em que os indivíduos estão expostos a maior intensidade de filtros ambientais, como pleno sol, vento, geada, solo de baixa qualidade, pouca diversidade funcional etc. (Figura 5). Nesse modelo, é proposta a inserção de espécies pioneiras, rústicas e aquisitivas, como bracatinga, ingás, caroba, jerivá, pata-de-vaca, aroeiras, louro-pardo e butiá. Aliadas a estas espécies é proposta a inserção da família Myrtaceae e da araucária. As mirtáceas, embora de interior de floresta, conseguem se desenvolver a pleno sol, mas seu lento crescimento comparado com as aquisitivas fará com que sejam por elas sombreadas com o passar do tempo, inserindo-as em seu ótimo e ampliando a diversidade funcional do sistema. A araucária é uma espécie rústica que não consegue se desenvolver sombreada, o que significa que sua entrada no sistema deve ser quando há alta disponibilidade de luz. Ipê-amarelo, por seu comportamento heliófilo, pode ser inserido para compor o grupo das ornamentais.
Nas linhas laterais é proposta uma alternância entre espécie aquisitiva e as Myrtaceae frutíferas para ocupação de diferentes estratos verticais ao longo da linha. Nas entrelinhas ficam dispostas as espécies agrícolas, preferencialmente consorciadas para aumentar a riqueza do sistema e maximizar a produção. Por exemplo, milho, abóbora, feijão e trevo no verão; aveia, alho e ervilhaca no inverno [99][100][106][107]. O olhar aéreo (Figura 5) permite visualizar como os elementos da paisagem agroflorestal estarão distribuídos horizontalmente. Nas duas linhas laterais vê-se a disposição de indivíduos como bracatinga, araucária e Myrtaceae. Na linha central vêem-se as ornamentais: caroba, ipê-amarelo e roxo, bem como as palmeiras. Nas entrelinhas vêem-se os cultivos agrícolas.
Na Figura 6, por outro lado, é possível observar principalmente a estrutura vertical do sistema, cujo dossel é ocupado pela Araucária, enquanto o mais baixo estrato arbóreo é ocupado pelas mirtáceas e no estrato intermediário distribuem-se bracatinga, ingá, pata-de-vaca, louro-pardo, palmeiras etc. No primeiro plano estão distribuídos indivíduos de caraguatá (Bromelia antiacantha Bertol., Bromeliaceae) com fins de cerca-viva [108]. No segundo plano se encontra a primeira linha das perenes, alternando lado a lado entre aquisitiva e Myrtaceae, com as aquisitivas atingindo maiores alturas ao longo do tempo. Logo atrás, está a entrelinha destinada aos cultivas agrícolas e no último plano, onde se encontra o agricultor, vale destacar a presenta dos capins em estrutura colunar para quebra-vento. Por fim, é relevante considerar a posição das linhas em função do norte, para maior acesso à luz solar, além do declive e sua influência nas espécies.
Conservativas – Modelo 2
Esta proposta é destinada à inserção de espécies conservativas secundárias tardias e/ou climáxicas, o que supõe o estabelecimento prévio das espécies aquisitivas pioneiras, inclusive ocupando o dossel, gerando sombreamento, microclima e atributos edáficos renovados (Figura 7). Afinal, a sucessão florestal inclui sucessão de traços, tendendo para o predomínio de espécies de madeira pesada, alta área foliar específica e amplas interações ecológicas com a fauna [53][30], formando uma floresta complexa que os sistemas agroflorestais visam reproduzir [15][53][109][110]. Em outras palavras, o Modelo 2 é uma possibilidade temporal de sucessão do Modelo 1, porém há casos em que o sistema agroflorestal é deliberadamente mantido em baixa maturidade sucessional em função dos serviços que se pretende extrair dele, como no caso dos históricos bracatingais de regeneração induzida dos arredores de Curitiba/PR para produção de lenha, em que, depois do desbaste, a área é submetida à queima para quebra de dormência das sementes de Bracatinga e consequente renovação do sistema, em um ciclo que não avança na sucessão [111]. Além disso, o Modelo 2 pode ser inserido direto em uma área com fragmento florestal já desenvolvido sem o manejo humano prévio, como no caso de assentamentos em áreas já florestadas, que focam em supressão seletiva do sub-bosque, manutenção das árvores adultas fornecedoras de serviços e enriquecimento com espécies de interesse, como a erva-mate [112].
Na Figura 7 observa-se a estrutura vertical do modelo. É proposta a inserção de espécies de alto estrato vertical e com características mais climáxicas, por exemplo, imbuia, cedro, angico e outras canelas, abaixo das espécies de crescimento rápido, como bracatinga e louro-pardo, que ocupam o dossel primeiro e facilitam o estabelecimento das mais longevas. Além dessas espécies, que poderão ter amplos usos, indo desde madeira, lenha, carvão, até melífero e medicinal, há a presença marcante da erva-mate no baixo estrato arbóreo, aos moldes do manejo tradicional das caívas [94]. Aqui também é possível a inserção da cataia sombreada com fins de obtenção de sua casca. É um modelo essencialmente arbóreo, com restrição de luz e que pode ser relevante quando se fala em fragmentação florestal na FOM.
Diversos estudos apontam para a ocorrência das espécies encontradas no presente trabalho em sistemas agroflorestais semelhantes ao aqui proposto, como no caso da combinação entre araucária, erva-mate e cataia nas caívas do planalto meridional brasileiro [94]; caroba, jerivá, uvaieira, angico e diversas canelas em floresta estacional semidecidual do estado de São Paulo [112]; ingás, pitangueira e outras frutíferas do gênero Psidium em floresta ombrófila densa na Bahia [113]; bracatinga, erva-mate, pitangueira, goiaba-serrana, araçá e guabiroba no planalto catarinense [114][115]; angico e aroeiras na transição entre FOM e floresta estacional semidecidual no Rio Grande do Sul [116]; ipê, aroeira e pitangueira na transição entre Mata Atlântica e Cerrado no estado do Mato Grosso do Sul [117]; e ainda louro-pardo, ipê-amarelo e cedro na Mata Atlântica paraguaia [118]. Em suma, as espécies arbóreas de ocorrência na FOM apresentam amplos serviços ambientais, oportunizando sua inserção em agroecossistemas resilientes. Seu comportamento ecológico pode ser compreendido a partir de seus traços funcionais mensuráveis, constituindo uma forma cirúrgica e, ao mesmo, sistêmica, de compreensão do recurso florestal nativo para integração deste com as demandas humanas em sistemas produtivos.
Conclusão
A metodologia empregada neste trabalho permitiu a estruturação de propostas de SAF apropriados para o ambiente de FOM, a partir dos traços funcionais das espécies indicadas. Assim, o presente trabalho obteve uma lista com ao todo 27 espécies de ocorrência na FOM que apresentam usos potenciais, caracterizadas em sete grupos funcionais que permitiram elaborar duas propostas de sistema agroflorestal apropriados para o contexto regional da FOM, embora estejam presentes também em sistemas agroflorestais dentro de outras fitofisionomias. Desta forma, o trabalho atingiu todos os objetivos estipulados.
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Tabela 1 – Espécies potenciais indicadas por sua ocorrência na FOM e por seus múltiplos usos potenciais para implementação de SAFs na FOM, categorizadas por família.
|
Espécie |
Família |
|
Araçá (Psidium cattleyanum) Goiabeira-serrana (Feijoa sellowiana) Guabiju (Myrciantes pungens) Guaviroba (Campomanesia xanthocarpa) Pitangueira (Eugenia uniflora) Sete-capotes (Campomanesia guazumifolia) Uvaieira (Eugenia pyriformis) |
Myrtaceae Myrtaceae Myrtaceae Myrtaceae Myrtaceae Myrtaceae Myrtaceae |
|
Bracatinga (Mimosa scabrella) Corticeira (Erythrina falcata) Ingá-feijão (Inga marginata) Ingá-verde (Inga virescens) Pata-de-vaca (Bauhinia forficata) |
Fabaceae Fabaceae Fabaceae Fabaceae Fabaceae |
|
Caroba (Jacaranda micrantha) Ipê-amarelo (Handroanthus alba) Ipê-roxo (Handroanthus impetiginosus) |
Bignoniceae Bignoniceae Bignoniceae |
|
Canela-Sassafrás (Ocotea odorifera) Imbuia (Ocotea porosa) Pau-andrade (Persea pyrifolia) |
Lauraceae Lauraceae Lauraceae |
|
Butiá-da-serra (Butia eriospatha) Jerivá (Syagrus romanzoffiana) |
Arecaceae Arecaceae |
|
Aroeira-pimenteira (Schinus terebinthifolius) Aroeira-salsa (Schinus molle) |
Anacardiaceae Anacardiaceae |
|
Erva-mate (Ilex paraguariense) |
Aquifoliaceae |
|
Araucária (Araucaria angustifolia) |
Araucariaceae |
|
Louro-pardo (Cordia trichotoma) |
Boraginaceae |
|
Espinheira-santa (Maytenus ilicifolia) |
Celastraceae |
|
Cedro (Cedrela fissilis) |
Meliaceae |
Tabela 2 – Espécies arbóreas selecionadas a partir da busca por multifuncionalidade na FOM para compor o sistema agroflorestal e ranqueadas com base na quantidade de serviços ambientais que fornecem, sendo eles: A l= alimentícia; Ma = madeira; L&C= lenha e carvão; Orn = ornamentação; Me = medicinal; P&C = perfumaria e cosmético; C&P = celulose e papel; Ar t= artesanato; Est = estrutural [2][57][58][59][60][61][62][63].
|
Espécie |
Categorias de uso |
|||||||||
|
Al |
Ma |
L&C |
Orn |
Me |
P&C |
C&P |
Art |
Est |
Qtd. |
|
|
Bracatinga (Mimosa scabrella) |
X |
X |
X |
X |
X |
X |
6 |
|||
|
Ingás (Inga spp.) |
X |
X |
X |
|
X |
|
X |
|
X |
|
|
Aroeira-salsa (Schinus molle) |
X |
X |
X |
X |
X |
5 |
||||
|
Araucária (Araucaria angustifolia) |
X |
X |
X |
X |
X |
|
||||
|
Pitangueira (Eugenia uniflora) |
X |
X |
X |
X |
X |
|||||
|
Caroba (Jacaranda micrantha) |
|
X |
X |
X |
X |
|
X |
|
|
|
|
Araçá (Psidium cattleyanum) |
X |
X |
X |
X |
4 |
|||||
|
Aroeira-pimenteira (Schinus terebinthifolius) |
X |
X |
X |
X |
||||||
|
Goiabeira-serrana (Feijoa sellowiana) |
X |
X |
X |
X |
||||||
|
Ipê-roxo (Handroanthus impetiginosus) |
X |
X |
X |
X |
|
|||||
|
Pau-andrade (Persea pyrifolia) |
X |
X |
X |
X |
|
|||||
|
Jerivá (Syagrus romanzoffiana) |
X |
X |
X |
X |
|
|||||
|
Sete-capotes (Campomanesia guazumifolia) |
X |
X |
X |
X |
|
|||||
|
Butiá-da-serra (Butia eriospatha) |
X |
X |
X |
X |
||||||
|
Corticeira (Erythrina falcata) |
|
|
|
X |
|
|
X |
|
X |
|
|
Guabiju (Myrciantes pungens) |
X |
X |
|
X |
|
|
|
|
|
3 |
|
Canelas (Lauraceae) |
X |
X |
X |
|
||||||
|
Erva-mate (Ilex paraguariense) |
X |
X |
X |
|
||||||
|
Ipê-amarelo (Tabebuia alba) |
X |
X |
X |
|
||||||
|
Louro-pardo (Cordia trichotoma) |
X |
X |
X |
|||||||
|
Pata-de-vaca (Bauhinia forficata) |
X |
X |
X |
|||||||
|
Uvaieira (Eugenia pyriformis) |
X |
|
|
|
X |
|
|
|
X |
|
|
Guaviroba (Campomanesia xanthocarpa) |
X |
|
X |
|
|
|
|
|
|
2 |
|
Cedro (Cedrela fissilis) |
|
X |
X |
|
|
|
|
|
|
|
Tabela 3 – Traços e classificação funcionais das espécies para implementação de SAF em FOM, sendo os traços: AFE = área foliar específica em mm².mg-1; DM = densidade básica da madeira em g.cm-³; MS = massa individual de semente em g; AP = altura máxima potencial em m; e SD = síndrome de dispersão, dividida em Zo = zoocórica; Au = autocórica; Ane = anemocórica.
|
Espécie |
Referência |
Traço |
Classificação |
||||
|
AFE |
DM |
MS |
AP |
SD |
|||
|
Araucária (Araucaria angustifolia) |
[55] |
7,981 |
0,531 |
* |
Zo |
Pioneira longeva ou conservativa |
|
|
[20] |
5,082 |
0,539 |
20 |
Zo |
|||
|
[30] |
4,930 |
0,498 |
8,049 |
37,2 |
Zo |
||
|
[40] |
|
0,500 |
* |
Zo |
|||
|
[53] |
5,129 |
0,570 |
Zo |
||||
|
[43] |
9,100 |
0,520 |
30 |
Zo |
|||
|
[50] |
5,260 |
0,535 |
30 |
|
|||
|
Aroeira-pimenteira (Schinus terebinthifolius) |
[55] |
15,11 |
0,520 |
|
|
Zo |
Pioneira aquisitiva |
|
[43] |
15,10 |
0,520 |
15 |
Zo |
|||
|
Bracatinga (Mimosa scabrella) |
[55] |
8,363 |
0,665 |
|
|
Au |
Pioneira intensamente aquisitiva |
|
[30] |
10,70 |
0,656 |
0,0169 |
20 |
Au |
||
|
[53] |
8,174 |
0,790 |
|
|
Au |
||
|
Canela-Sassafrás (Ocotea odorifera) |
[30] |
8,690 |
0,699 |
1,0811 |
23,5 |
Zo |
Tardia de grande porte |
|
Caroba (Jacaranda micrantha) |
[30] |
16,10 |
0,480 |
0,0073 |
21,1 |
Ane |
Dispersa pelo vento |
|
Cedro (Cedrela fissilis) |
[55] |
9,828 |
0,338 |
|
|
Ane |
Dispersa pelo vento |
|
[30] |
8,980 |
0,514 |
0,0286 |
29,3 |
Ane |
||
|
[43] |
9,800 |
0,340 |
|
30 |
|
||
|
Erva-mate (Ilex paraguariense) |
[55] |
14,62 |
0,451 |
Zo |
Tardia de pequeno porte |
||
|
[30] |
8,100 |
0,548 |
0,0079 |
17,6 |
Zo |
||
|
[43] |
14,60 |
0,450 |
15 |
Zo |
|||
|
Goiabeira-serrana (Feijoa sellowiana) |
[55] |
8,069 |
0,631 |
|
|
Zo |
Secundária facultativa |
|
[20] |
6,918 |
0,664 |
5 |
|
|||
|
[53] |
7,010 |
0,640 |
|
|
Zo |
||
|
Guabiju (Myrcianthes pungens) |
[55] |
8,004 |
0,692 |
|
|
Zo |
Secundária facultativa |
|
Guaviroba (Campomanesia xanthocarpa) |
[55] |
18,22 |
0,682 |
|
|
Zo |
Secundária facultativa |
|
[30] |
10,50 |
0,809 |
0,0439 |
20,5 |
Zo |
||
|
[43] |
18,20 |
0,680 |
|
15 |
Zo |
||
|
Imbuia (Ocotea porosa) |
[30] |
7,15 |
0,652 |
1,4166 |
27,5 |
Zo |
Tardia de grande porte |
|
Ingá-verde (Inga virescens) |
[55] |
14,99 |
0,513 |
|
|
Zo |
Pioneira aquisitiva |
|
[30] |
13,00 |
0,630 |
0,5291 |
15,8 |
Zo |
||
|
Ipê-amarelo (Handroanthus alba) |
[30] |
6,42 |
0,867 |
0,0112 |
24,6 |
Ane |
Dispersa pelo vento |
|
Pitangueira (Eugenia uniflora) |
[55] |
25,31 |
0,735 |
|
|
Zo |
Secundária facultativa |
|
[30] |
9,64 |
0,782 |
0,3576 |
12,5 |
Zo |
||
|
[50] |
17,84 |
0,718 |
|
18 |
|
||
|
Sete-capotes (Campomanesia guazumifolia) |
[30] |
11,60 |
0,660 |
0,0476 |
25 |
Zo |
Secundária facultativa |
|
Uvaieira (Eugenia pyriformis) |
[55] |
7,70 |
0,973 |
|
|
Zo |
Secundária facultativa |
|
[30] |
8,48 |
0,825 |
0,8037 |
15,3 |
Zo |
||
* = estudos que apresentaram dado divergente da amostragem estabelecida no protocolo internacional de traços [17]. Espaços vazios indicam dado ausente.
Figura 5 – Vista aérea do sistema agroflorestal com baixa maturidade sucessional proposto para a FOM a partir da seleção e caracterização das espécies com a literatura de traços funcionais. Nas linhas laterais estão: 1 = espécies pioneiras de médio a grande porte responsáveis por ocupar o dossel e o estrato emergente do sistema, como araucária, bracatinga e louro-pardo. Elas sombreiam total ou parcialmente as 2 = espécies secundárias facultativas, em geral Myrtaceaes como araçá, guaviroba e goiabeira-serrana, que ocupam o sub-bosque. Na linha central estão dispostas as espécies ornamentais, como caroba e jerivá. Nas entrelinhas estão os cultivos anuais.
Figura 6 – Vista frontal do sistema agroflorestal com baixa maturidade sucessional proposto para a FOM, expondo os diferentes estratos verticais: 1 = estrato emergente ocupado pela araucária; 2 = dossel ocupado por bracatinga e louro-pardo; 3 = sub-bosque ocupado por frutíferas da família Myrtaceae, como araçá; 4 = cultivo anual na entrelinha e 5 = bordas do sistema, com caraguatá de cerca-viva.
Figura 7 – Vista frontal do segundo modelo agroflorestal proposto para a FOM, com estágio sucessional maduro, onde os estratos distinguem-se em: 1 = emergente, sendo ocupado pela araucária e eventualmente cedro e angico; 2 = dossel, ocupado por cedro, angico, imbuia e louro-pardo; 3 = estrato médio, ocupado por Mirtaceae e aroeiras; e 4 = estrato baixo, ocupado sobretudo por erva-mate e cataia.
Biodiversidade Brasileira – BioBrasil.
Fluxo Contínuo e Edições Temáticas:
• Sustentabilidade da Araucária
• Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade – Programa Monitora
n.2, 2025
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Biodiversidade Brasileira é uma publicação eletrônica científica do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) que tem como objetivo fomentar a discussão e a disseminação de experiências em conservação e manejo, com foco em unidades de conservação e espécies ameaçadas.
ISSN: 2236-2886