Mudanças climáticas nas terras indígenas do estado do Acre, considerando as variações de temperatura do ar e da chuva

Noeme Carneiro Soares1*

https://orcid.org/0009-0004-4539-8726

* Contato principal

Debora Menezes dos Santos1

https://orcid.org/0000-0003-2264-6139

José Epitácio dos Santos Neto1

https://orcid.org/0009-0001-5586-6456

Emanuel Moraes de Souza1

https://orcid.org/0009-0001-6950-8940

Wesley da Silva Uchoa1

https://orcid.org/0009-0007-4705-4275

1 Universidade Federal do Acre/UFAC, Campus Floresta, Cruzeiro do Sul/AC, Brasil. <noeme.soares@sou.ufac.br, debora.menezes@sou.ufac.br, jose.epitacio@usp.br, emanuel.souza@sou.ufac.br, wesley.uchoa@sou.ufac.br, mariza.noberto@aluno.ufr.edu.br, marco.valadao@ufac.br, alves.thiago@ufac.br, igor.oliveira@ufac.br, jefferson.jose@ufac.br>.

Mariza Noberto da Silva1

https://orcid.org/0009-0002-4957-3988

Marco Bruno Xavier Valadão1

https://orcid.org/0000-0002-5917-4940

Thiago Alves Santos de Oliveira1

https://orcid.org/0000-0002-6582-7434

Igor Soares de Oliveira1

https://orcid.org/0000-0002-3230-3837

Jefferson Vieira José1

https://orcid.org/0000-0003-1384-0888

RESUMO – As mudanças climáticas terão impactos diferenciados em diversas regiões do planeta. O mapeamento das previsões de temperatura e precipitação pluvial é fundamental para formular medidas específicas de adaptação dos povos indígenas. O objetivo do estudo foi analisar a variação espacial das mudanças climáticas de 25 terras indígenas (TIs) no estado do Acre. Foram utilizadas as variáveis climáticas, temperaturas do ar médias e precipitação pluvial acumulada média anual. A avaliação baseou-se em dados climáticos históricos do período de 1970 a 2000 e em projeções climáticas futuras para 2041 a 2060, considerando o cenário SSP5-8.5, com dados do WorldClim, versão 2.1. Das 25 TIs analisadas, Mamoadate apresentará o maior aumento médio de temperatura de 4,91 °C, seguida por Cabeceira do Rio Acre, com 4,86 °C. Por outro lado, Kampa do Rio Amônia registrará a menor variação na temperatura média anual, enquanto as demais TIs podem variar entre 4,80°C e 4,55°C. Além disso, Mamoadate apresentará a maior redução na precipitação pluvial, com -333,66 mm, seguida por Cabeceira do Rio Acre, com -284,24 mm.

Palavras-chave: Alterações climáticas; comunidades indígenas; mudança de temperatura; mudança de precipitação; implicações ambientais.

Climate change in the indigenous lands of the state of Acre, considering variations in air temperature and rainfall

ABSTRACT Climate change will have different impacts in different regions of the planet. Mapping temperature and precipitation forecasts is essential for formulating specific adaptation measures for indigenous peoples. The study analyzed the spatial variation of climate change in 25 indigenous lands (TIs) in the state of Acre. The climate variables used were average air temperature and accumulated average annual precipitation. The assessment was based on historical climate data from 1970 to 2000 and future climate projections for 2041 to 2060, considering the SSP5-8.5 scenario, with data from WorldClim, version 2.1. Of the 25 TIs analyzed, Mamoadate will show the highest average temperature increase of 4.91°C, followed by Cabeceira do Rio Acre, with 4.86°C. On the other hand, Kampa do rio Amônia will record the smallest variation in average annual temperature, while the other TIs could vary between 4.80°C and 4.55°C. Mamoadate will show the greatest reduction in rainfall, with -333.66 mm, followed by Cabeceira do Rio Acre, with -284.24 mm.

Keywords: Climate change; indigenous communities; temperature change; precipitation change; environmental impact.

Cambios climáticos en las tierras indígenas del estado de Acre, considerando las variaciones de la temperatura del aire y de las precipitaciones

RESUMEN – El cambio climático tendrá repercusiones diferentes en las distintas regiones del planeta. Mapear las previsiones de temperatura y precipitación es esencial para formular medidas de adaptación específicas para los pueblos indígenas. El estudio analizó la variación espacial del cambio climático en 25 tierras indígenas (TIs) del estado de Acre. Las variables climáticas utilizadas fueron la temperatura media del aire y la precipitación media anual acumulada. La evaluación se basó en datos climáticos históricos de 1970 a 2000 y proyecciones climáticas futuras para 2041 a 2060, considerando el escenario SSP5-8.5, con datos de WorldClim, versión 2.1. De las 25 TIs analizadas, Mamoadate registrará el mayor aumento medio de temperatura, con 4,91 ºC, seguida de Cabeceira do Rio Acre, con 4,86 ºC. Por otro lado, Kampa do rio Amônia registrará la menor variación de la temperatura media anual, mientras que las demás TIs podrían variar entre 4,80 ºC y ٤,٥٥ ºC. Mamoadate registrará la mayor reducción de las precipitaciones, con -٣٣٣,٦٦ mm, seguida de Cabeceira do Rio Acre, con -284,24 mm.

Palabras clave: Cambio climático; comunidades indígenas; cambio de temperatura; cambio de precipitaciones; implicaciones medioambientales.

Recebido em 27/09/2024 – Aceito em 12/02/2025

Como citar:

Soares NC, Santos DM, Santos Neto JE, Souza EM, Uchoa WS, Silva MN, Valadão MBX, Oliveira TAS, Oliveira IS, José JV. Mudanças climáticas nas terras indígenas do estado do Acre, considerando as variações de temperatura do ar e da chuva. Biodivers. Bras. [Internet]. 2025; 15(3): 82-91. doi: 10.37002/biodiversidadebrasileira.v15i3.2738

Introdução

O Brasil é um país com uma grande diversidade étnica, dentre a qual se destacam as populações indígenas, extremamente ricas e diversas. Segundo o levantamento do último censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) [1], o Brasil possui pouco mais de 300 povos indígenas conhecidos, que falam 274 línguas e representam 0,6% da população total do país [1].

As terras indígenas (TIs), que cobrem 13% do território nacional, com a maioria (98,39%) situada na Amazônia Legal [2], desempenham um papel crucial no equilíbrio climático em níveis regional, nacional e global. Predominantemente cobertas por florestas, essas vastas áreas servem como importantes barreiras contra o desmatamento e as emissões de gases de efeito estufa, especialmente o CO² [3][4]. A preservação das florestas tropicais, frequentemente localizadas em TIs, é essencial para mitigar as mudanças climáticas [5], com implicações significativas para os povos indígenas no Brasil, sobretudo na Amazônia.

No entanto, a sustentabilidade desses territórios é desafiada por fatores como a aplicação dos direitos indígenas e a definição de atividades econômicas permitidas [6]. A saúde e o bem-estar das comunidades tradicionais também estão em risco devido à falta de políticas públicas eficazes e ao conhecimento científico insuficiente sobre os impactos das mudanças climáticas sobre as populações residentes [7]. Além disso, o futuro do extrativismo, uma atividade econômica fundamental para muitas comunidades indígenas, está ameaçado pela potencial perda de recursos florestais não-madeireiros devido às alterações climáticas [8].

As mudanças climáticas são uma ameaça preo-cupante para as comunidades indígenas, trazendo desafios como aumento das temperaturas, padrões de precipitação pluvial irregulares e eventos climáticos extremos [9][10]. A perda de habitat devido ao desmatamento e exploração não sustentável de recursos naturais agrava ainda mais seus impactos. Portanto, é fundamental compreender melhor as interações entre as mudanças climáticas e essas comunidades.

Este estudo tem como objetivo analisar a variação espacial das mudanças climáticas nas TIs no estado do Acre em dois intervalos temporais distintos: o período histórico de 1970 a 2000 e o período futuro projetado entre 2041 e 2060.

Material e Métodos

Área de estudo

O estado do Acre está situado entre as coordenadas geográficas de 74,2 a 67,5º W e 0,7 a 11,2º N, localizado na região Norte do Brasil. O estado possui uma extensão territorial de 164.173 km², sendo aproximadamente 85,4% coberta por formação natural e 14,6% por paisagens modificadas pela intervenção do homem, áreas urbanizadas antrópicas [9]. Dentre essa área, 14,84% correspondem a TIs, distribuídas em 32 unidades (Figura 1). De acordo com a classificação climática de Wilhen Koppen o estado foi classificado com três climas sendo Af (Tropical Úmido), Aw (Savana Tropical) e o de maior prevalência sendo o clima do tipo Am (equatorial) caracterizado por temperaturas com médias entre 25 ºC e ٢٧ ºC e pluviosidade entre ١.٥٠٠ e 2500mm ano-1 [11][12].

Foram analisadas as mudanças climáticas em 25 TIs regularizadas no estado do Acre (IBGE, 2024), abrangendo a área de estudo (Tabela 1). Essas TIs são habitadas por diversas etnias indígenas, incluindo a Arara do Acre, Ashaninka, Isolados, Katukina (Noke Koi), Kaxinawá (Huni Kuin), Kulina Páno, Kulina Madijá, Machineru, Nukiní, Poyanáwa e Yaminawa.

Dados climáticos

Foram utilizadas as variáveis climáticas de temperaturas do ar médias e precipitação pluvial acumulada média anual. A avaliação baseou-se nos dados históricos climáticos do período de 1970 a 2000, e projeções climáticas futuras de 2041 a 2060 utilizando a base de dados WorldClim, [13] com uma resolução espacial de 2,5 min. (~4,62 km).

As projeções climáticas futuras são derivadas de vários modelos de circulação geral dentro da estrutura Coupled Model Intercomparison Project Phase 6 (CMIP6). A escolha do modelo de circulação foi o HadGEM3-GC31-LL (Hadley Centre Global Environmental Model) com cenário SSP5 - 8.5 [14], com resolução espacial de 2,5 min. Uma análise exploratória realizada na região sul da Amazônia posicionou a precisão das estimativas do modelo HadGEM3-GC31-LL entre as mais destacadas entre os modelos de circulação geral [15]. O cenário SSP5-8.5 representa uma trajetória em que as condições socioeconômicas globais seguem um caminho menos otimista, com aumento substancial nas emissões de gases de efeito estufa, levando a um forçamento radiativo adicional de 8,5 W m-² até o ano ٢١٠٠ [١6].

Análise de dados

Empregou-se a análise espacial com a estatís-tica zonal, que incluiu todos os pixels de cada TIs, para a variação da temperatura do ar e precipitação pluvial média anual. Foi calculada a diferença entre a média de 2041-2060 e a média de 1970-2000, o cálculo das variações de temperatura média anual, auxilia nas análises das direções, magnitudes e porcentagens das mudanças climáticas, assim, o cálculo da variação percentual compara as condições atuais e projeções futuras do clima.

Essa abordagem foi adotada para comparar as variações dentro e entre TIs. Foi utilizado o software livre R Statistical® [17] e os seus pacotes para obtenção e análise dos dados. O banco de dados foi extraído com os pacotes raster e sf e a elaboração dos mapas com os pacotes geobr, ggplot2, ggspatial, ggrepel e stars.

Resultados e Discussão

Temperatura do ar

Conforme as projeções derivadas do modelo climático HadGEM3-GC31-LL sob o cenário de emissões SSP5-8.5, estima-se um incremento médio de 4,7 ºC na temperatura média anual no estado do Acre, considerando o período compreendido entre 1970 e 2000 e o intervalo de 2041 a 2060 (Tabela 2). É previsto que essa elevação térmica apresente variações regionais, oscilando entre aproximadamente 29 ºC nas áreas ocidentais e ٣٠ ºC no extremo Leste do estado, especificamente na bacia do rio Acre (Figura 2).

Em termos percentuais, a temperatura apresen-tará um aumento significativo na região Norte, com um incremento estimado de aproximadamente 22%. Já no extremo Oeste, especificamente no Parque Nacional da Serra do Divisor, essa variação situar-se-á entre 16% e 17%. Os dados revelam discrepâncias regionais no aumento da temperatura. Isso sugere que as TIs no extremo Leste, Oeste e Norte do estado provavelmente serão mais heterogêneas.

Estudos realizados utilizando um dos modelos Hadley (HadCM3), que é considerado um dos mais realistas para as mudanças futuras no padrão de temperatura e precipitação pluviométrica na região amazônica, estimam que dentre as projeções dos dois cenários observados na região, sendo duas simulações examinadas entre o clima presente (1961–1990, cenário A2) e o futuro (2071–2100, cenário B2), apresentaram divergências na elevação da temperatura, variando de 4 ºC até ٦ ºC, podendo chegar aos ٨ ºC para o cenário A٢, e ٢ ºC a ٤ ºC, podendo chegar a ٥ ºC para o cenário B٢ [١8], como também demonstrado na variação na Tabela 2.

A Tabela 2 apresenta a variação da projeção da temperatura média anual (ºC) entre o período histórico de 1970 – 2000 e o período futuro 2041 – 2060 por TIs. Os dados revelam uma tendência consistente de aumento da temperatura média ao longo das TIs. A análise dos valores históricos e projetados demonstra um aumento médio na temperatura média anual variando de 4,31 ºC a ٤,٩١ ºC. Especificamente, observa-se que a maior variação ocorre na TI Mamoadate (ID 23), com um aumento de 4,91 ºC, seguida pela TI Cabeceira do Rio Acre (ID 4), com 4,86 ºC. Ambas se localizam no sudoeste do estado. Por outro lado, as menores variações são registradas nas TIs Kampa do Rio Amônia (ID 11) e Jaminawa do Igarapé Preto (ID 9), ambas a noroeste, com aumentos de 4,31 ºC e 4,56 ºC, respectivamente. Além disso, a variação percentual também é apresentada na Tabela 2, oscilando entre 16,95% e 19,88%. As variações percentuais mais baixas são observadas nas TIs Kampa do Rio Amônia (ID 11) e Nukini (ID 24, enquanto as mais altas estão nas TIs Mamoadate (ID 23) e Jaminawa do Cabeceira do Rio Acre (ID 4).

Esse aumento de variação, principalmente nas TIs em destaque, pode acarretar impactos significativos sobre os modos de vida e subsistência dessas populações devido a alterações na dinâmica natural do ecossistema onde vivem. Pode até ocasionar uma redução dessas populações, tendo em vista a maior sensibilidade que esses povos têm às anomalias causadas pelas mudanças climáticas, uma vez que a relação que possuem com a floresta é fundamental para a sua subsistência [19].

Precipitação pluvial

A Figura 3 revela que a precipitação pluvial anual diminuirá cerca de 1% a 20% no estado do Acre. Com a maior redução no sul do Acre, especificamente em Assis Brasil, com uma faixa de redução gradual ao Norte do estado.

Entre as 25 TIs analisadas, Mamoadate (ID 23) destacou-se como a que registrou a maior redução na precipitação pluvial, com uma diminuição de 333,66 mm. Em segundo lugar, a TI Cabeceira do Rio Acre (ID 4) apresentou uma variação de -284,24 mm. Por outro lado, a TI Katukina/Kaxinawá (ID 13) registrou a menor alteração na projeção da precipitação pluvial, com um valor de -92,30 mm (Tabela 3). Segundo os autores Val e Santos [20], na região amazônica constataram-se diminuições anuais de 5% a 20% na quantidade de chuvas, de 20% a 30% na evapotranspiração, e um acréscimo de 1 ºC a ٤ ºC na temperatura do ar. Essa variação na precipitação pluvial pode ter implicações importantes para a disponibilidade de água e o equilíbrio dos ecossistemas locais, afetando diretamente as atividades agrícolas e o modo de vida das comunidades indígenas, desencadeando também profundos impactos culturais.

As projeções climáticas para as TIs no Acre revelam ainda uma tendência de aumento na temperatura média anual (Tabela 2), refletindo um cenário de aquecimento significativo.

Por outro lado, a variação da precipitação pluvial (Tabela 3) mostra uma tendência mais heterogênea, com algumas TIs registrando diminuição na precipitação, enquanto outras apresentam aumentos ou variações mínimas. Essa heterogeneidade destaca a complexidade das mudanças climáticas e ressalta a importância de abordagens adaptativas específicas para cada TI, bem como investigações acerca de estratégias de mitigação específicas, de acordo com a realidade de cada comunidade.

Por exemplo, a TI Kaxinawá do Rio Jordão (ID 19), com uma população de 2220 habitantes, pode enfrentar grandes desafios diante do aumento projetado na temperatura média anual de 4,70±0,06 ºC combinada com a diminuição prevista na precipitação pluvial de -٢١٧,٨±١,٥ mm. Essas projeções evidenciam os desafios que as comunidades indígenas enfrentarão em relação às suas práticas agrícolas e culturais, com impactos notórios sobre sua segurança alimentar.

Alguns autores destacam que as variações climáticas prejudicam os povos guaranis da mata atlântica, nos cultivos de mandioca e batata-doce devido ao excesso de umidade, e a escassez de chuvas impede o crescimento do milho [20]. Esses desafios não se limitam apenas às perdas econômicas e alimentares, mas também afetam as cerimônias tradicionais, como o nhemongarai, que têm sido impactadas pela falta de colheita de milho.

Os períodos de alta temperatura e consequen-temente de seca intensa podem desencadear uma série de consequências. Com a alteração da vegetação, tanto a biodiversidade quanto a produtividade do solo podem diminuir, o que limita a disponibilidade de alimentos para as comunidades que dependem da floresta. Por exemplo, em condições de estresse hídrico grave, as árvores amazônicas tendem a reduzir significativamente a produção de flores e frutos [20], o que pode ter sérios impactos na fauna local e, consequentemente, nas populações indígenas. Há ainda o aumento do risco de incêndios florestais, o que pode acarretar impactos ambientais sobre produtos extrativistas importantes para essas comunidades [21,22,23,24].

Além disso as mudanças nos padrões de temperatura também podem influenciar no aumento e migração de vetores, causando assim um aumento de doenças e epidemias que antes não eram comuns nas TIs, bem como casos de desnutrição e diarreias provocados pela falta de água devido à mudança nos padrões de precipitação pluvial tornando assim a população vulnerável e aumentando a margem de mortalidade na comunidade [25].

Conclusão

A análise das variações da temperatura do ar média anual e da precipitação pluvial anual no estado do Acre revela um cenário complexo e preocupante para as populações indígenas. Estima-se um incre-mento médio de 4,7 ºC na temperatura média anual, enquanto a precipitação pluvial anual diminuirá cerca de ١٪ a ٢٠٪ no estado.

As respostas climáticas exibem heterogeneidade regional, com a precipitação mostrando uma variação particularmente marcante em comparação com a temperatura. Entre as 25 terras indígenas regularizadas, observou-se que Mamoadate registrou o maior aumento médio de temperatura, atingindo 4,91 ºC, seguida por Cabeceira do Rio Acre, com um aumento de 4,86 ºC. Como resultado, Mamoadate também apresentou a maior redução na precipitação, com um decréscimo de -333,66 mm, seguida por Cabeceira do Rio Acre, com -284,24 mm, localizadas ao sul do estado, na região da bacia do Rio Acre.

Referências

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Figura 1 – Localização das terras indígenas regularizadas no estado do Acre, Brasil.

Tabela 1 – Terras indígenas regularizadas no estado do Acre, Brasil.

ID

Terras indígenas regularizadas

Pop.

1

Alto Rio Purus

3129

2

Alto Tarauacá

1400

3

Arara do Igarapé Humaitá

658

4

Cabeceira do Rio Acre

377

5

Campinas/Katukina

703

6

Igarapé do Caucho

850

7

Jaminaua/Envira

213

8

Jaminawa Arara do Rio Bagé

223

9

Jaminawa do Igarapé Preto

189

10

Kampa do Igarapé Primavera

48

11

Kampa do Rio Amônia

867

12

Kampa e Isolados do Rio Envira

240

13

Katukina/Kaxinawá

1679

14

Kaxinawá Ashaninka do Rio Breu

712

15

Kaxinawá Colônia Vinte e Sete

91

16

Kaxinawá da Praia do Carapanã

804

17

Kaxinawá do Baixo Rio Jordão

554

18

Kaxinawá do Rio Humaitá

476

19

Kaxinawá do Rio Jordão

2220

20

Kaxinawá Nova Olinda

468

21

Kulina do Rio Envira

294

22

Kulina Igarapé do Pau

124

23

Mamoadate

1330

24

Nukini

569

25

Poyanawa

735

Total

18953

Pop = número de população indígena. Fonte: Censo (٢٠٢٢)

Figura 2 – Percentual de variação da temperatura média anual entre o período histórico, de 1970-2000 e o período futuro, de 2041-2060 por terras indígenas regularizadas no estado do Acre.

Mapa

Descrição gerada automaticamente
Mapa

Descrição gerada automaticamente
Mapa

Descrição gerada automaticamente

Tabela 2 – Variação da projeção da temperatura média anual (°C) entre o período histórico, de 1970-2000, e o período futuro, de 2041-2060, por terras indígenas regularizadas no estado do Acre.

ID

Terras indígenas regularizadas

Histórico

Futuro

Variação

(média ± Desvio) (ºC)

(%)

1

Alto Rio Purus

24,69

29,49

4,80±0,03

19,45±0,15

2

Alto Tarauacá

24,81

29,50

4,69±0,05

18,91±0,22

3

Arara do Igarapé Humaitá

25,03

29,73

4,70±0,05

18,78±0,23

4

Cabeceira do Rio Acre

24,59

29,45

4,86±0,04

19,75±0,16

5

Campinas/Katukina

24,93

29,67

4,74±0,04

19,00±0,16

6

Igarapé do Caucho

24,76

29,45

4,69±0,03

18,96±0,16

7

Jaminaua/Envira

24,86

29,64

4,78±0,03

19,23±0,13

8

Jaminawa Arara do Rio Bagé

24,90

29,66

4,76±0,04

19,11±0,17

9

Jaminawa do Igarapé Preto

25,18

29,74

4,56±0,03

18,10±0,10

10

Kampa do Igarapé Primavera

24,75

29,52

4,76±0,03

19,25±0,14

11

Kampa do Rio Amônia

25,43

29,74

4,31±0,07

16,95±0,29

12

Kampa e Isolados do Rio Envira

24,97

29,61

4,65±0,07

18,61±0,27

13

Katukina/Kaxinawá

24,84

29,50

4,66±0,03

18,77±0,17

14

Kaxinawá Ashaninka do Rio Breu

25,07

29,69

4,62±0,05

18,42±0,27

15

Kaxinawá Colônia Vinte e Sete

24,91

29,60

4,69±0,00

18,83±0,00

16

Kaxinawá da Praia do Carapanã

24,74

29,47

4,73±0,03

19,14±0,15

17

Kaxinawá do Baixo Rio Jordão

24,92

29,68

4,76±0,03

19,12±0,15

18

Kaxinawá do Rio Humaitá

24,82

29,59

4,77±0,03

19,20±0,13

19

Kaxinawá do Rio Jordão

24,87

29,57

4,70±0,06

18,91±0,24

20

Kaxinawá Nova Olinda

24,81

29,60

4,79±0,04

19,29±0,16

21

Kulina do Rio Envira

24,90

29,67

4,77±0,03

19,17±0,14

22

Kulina Igarapé do Pau

24,83

29,62

4,79±0,03

19,29±0,12

23

Mamoadate

24,69

29,60

4,91±0,07

19,88±0,26

24

Nukini

25,45

30,00

4,55±0,02

17,86±0,08

25

Poyanawa

25,22

29,80

4,58±0,03

18,18±0,11

Figura 3 – Percentual de variação da precipitação pluvial anual entre o período histórico, de 1970-2000, e o período futuro, de 2041-2060 por terras indígenas regularizadas no estado do Acre.

Tabela 3 – Variação da projeção da precipitação pluvial (mm) entre o período histórico, de 1970-2000, e o período futuro, de 2041-2060 por terras indígenas regularizadas.

ID

Terras indígenas regularizadas

Histórico

Futuro

Variação

(média ± Desvio) (mm)

(%)

1

Alto Rio Purus

2047,9

1854,4

-193,4±12,6

-9,5±0,81

2

Alto Tarauacá

1734,2

1515,1

-219,1±1,5

-12,6±0,1

3

Arara do Igarapé Humaitá

2001,0

1824,8

-176,2±3,3

-8,8±0,28

4

Cabeceira do Rio Acre

1746,7

1462,5

-284,2±12,8

-16,3±0,6

5

Campinas/Katukina

2099,9

1942,3

-157,6±2,0

-7,5±0,1

6

Igarapé do Caucho

2272,5

2149,8

-122,7±3,1

-5,40±0,2

7

Jaminaua/Envira

1882,9

1656,6

-226,3±6,0

-12,0±0,4

8

Jaminawa Arara do Rio Bagé

1847,9

1653,7

-194,2±2,3

-10,5±0,2

9

Jaminawa do Igarapé Preto

2134,8

1960,8

-174,0±1,3

-8,1±0,1

10

Kampa do Igarapé Primavera

1922,2

1749,0

-173,23,0

-9,0±0,2

11

Kampa do Rio Amônia

1704,4

1506,3

-198,1±3,2

-11,6±0,2

12

Kampa e Isolados do Rio Envira

1767,0

1540,4

-226,6±4,6

-12,8±0,1

13

Katukina/Kaxinawá

2225,6

2133,30

-92,3±1,8

-4,1±0,1

14

Kaxinawá Ashaninka do Rio Breu

1712,0

1496,53

-215,5±2,9

-12,6±0,1

15

Kaxinawá Colônia Vinte e Sete

2337,0

2226,00

-111,0±0,1

-4,7±,0,0

16

Kaxinawá da Praia do Carapanã

2027,0

1880,7

-146,4±6,3

-7,2±0,4

17

Kaxinawá do Baixo Rio Jordão

1753,2

1541,4

-211,8±1,1

-12,1±0,1

18

Kaxinawá do Rio Humaitá

1834,8

1626,3

-208,6±9,5

-11,4±0,8

19

Kaxinawá do Rio Jordão

1722,6

1504,8

-217,8±1,5

-12,6±0,1

20

Kaxinawá Nova Olinda

2019,6

1825,5

-194,1±2,4

-9,61±0,1

21

Kulina do Rio Envira

1832,9

1613,1

-219,9±4,6

-12,0±0,4

22

Kulina Igarapé do Pau

1944,4

1735,9

-208,5±3,6

-10,7±0,2

23

Mamoadate

1831,7

1498,1

-333,6±17

-18,2±0,9

24

Nukini

2368,2

2169,9

-198,3±3,5

-8,37±0,1

25

Poyanawa

2232,4

2050,8

-184,0±3,1

-8,14±0,1

Biodiversidade Brasileira – BioBrasil.

Fluxo Contínuo e Edição Temática:

Ciências Ambientais na Amazônia Sul Ocidental

n.3, 2025

http://www.icmbio.gov.br/revistaeletronica/index.php/BioBR

Biodiversidade Brasileira é uma publicação eletrônica científica do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) que tem como objetivo fomentar a discussão e a disseminação de experiências em conservação e manejo, com foco em unidades de conservação e espécies ameaçadas.

ISSN: 2236-2886