Os macacos-de-cheiro (Saimiri spp.) da Reserva Mamirauá: da descrição de uma espécie à consolidação de uma pesquisa de longo prazo
DOI:
https://doi.org/10.37002/biodiversidadebrasileira.v7i2.623Palavras-chave:
Florestas alagadas , biogeografia , conservação , distribuição geográfica , endemismoResumo
A Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (RDSM) é considerada a maior área protegida brasileira dedicada à conservação da biodiversidade em florestas alagadas. Apesar de apresentar uma das maiores riquezas de primatas registradas para uma unidade de conservação na Amazônia, estudos em primatologia na RDSM ainda são incipientes. O macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta (Saimiri vanzolinii) foi descrito em 1985, mas os primeiros estudos iniciaram mais de duas décadas anos depois. A espécie apresenta forte endemismo, e sua distribuição não ultrapassa 870 km², sendo considerada vulnerável à extinção. Outras duas espécies de macaco-de-cheiro (S. cassiquiarensis e S. macrodon) ocorrem na área, apresentando peripatria com S. vanzolinii, incluindo zonas de contato nas regiões limítrofes. Ambas as espécies apresentam amplas distribuições geográficas e são consideradas menos preocupantes ao risco de extinção. Estudos filogenéticos determinaram que os três taxa de Saimiri são considerados espécies válidas. Análises bioacústicas e morfológicas corroboraram o estudo anterior, demonstrando diferenciação entre as espécies. O interesse em investigar as razões de S. vanzolinii apresentar uma distribuição extremamente restrita foi o principal motivador para iniciar esta pesquisa de longo prazo. Aspectos relacionados a ecologia, comportamento, taxonomia, genética e biogeografia histórica são essenciais para a compreensão do atual padrão de distribuição, bem como para o planejamento de estratégias de conservação, especialmente de S. vanzolinii. Estudos envolvendo a diferenciação da composição florística entre as áreas de Saimiri, bem como a disponibilidade de recursos alimentares e o uso destes na dieta tem sido desenvolvidos na área. Essas questões ajudarão a compreender se processos evolutivos, como o de exclusão competitiva, podem estar pressionando S. vanzolinii e, consequentemente, contribuindo para um processo natural de extinção da espécie. A maior preocupação refere-se a alguns modelos de mudanças climáticas, que apontam o aumento da intensidade e frequência de grandes cheias para a região do médio rio Solimões. Além disto, o corte seletivo de espécies madeireiras pode contribuir para alterações no ambiente. Acredita-se que a associação destes dois fatores poderão resultar em perda de habitat significativa para S. vanzolinii, aumentando seu risco de extinção. A aplicação de biotecnologias de reprodução deve ser considerada como alternativa para no manejo ex-situ da espécie.
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Copyright (c) 2018 Fernanda Pozzan Paim

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