<b>Recorrência dos incêndios e fitossociologia da vegetação em áreas com diferentes regimes de queima no Parque Nacional da Chapada Diamantina</b>

Autores

  • Cezar Neubert Gonçalves ICMBio
  • Felipe Weber Mesquita Grupo Ambientalista de Palmeiras
  • Norton Rodrigo Gomes Lima Universidade Estadual do Sudoeste Baiano
  • Luis Antonio Coslope ICMBio
  • Bruno Soares Lintomen ICMBio

DOI:

https://doi.org/10.37002/biobrasil.v%25vi%25i.138

Resumo

A ocorrência de incêndios florestais é uma perturbação freqüente em ecossistemas, especialmente nas regiões savânicas e campestres. No Brasil, pouco se conhece sobre a dinâmica dos incêndios em regiões como a Chapada Diamantina, Bahia, onde há a predominância de campos rupestres. Neste estudo, a recorrência dos incêndios no Parque Nacional da Chapada Diamantina é avaliada no período entre 1985 e 2010. Com base nos dados sobre a ocorrência de incêndios, foram determinados sítios com diferentes regimes de queima onde se realizaram levantamentos fitossociológicos. Além dos procedimentos usuais neste tipo de levantamento, a vegetação foi dividida em três componentes: graminóides, herbáceas e arbustivo-arbóreas. Testes de correlação foram realizados, para verificar se há relação entre a cobertura por estes elementos em cada sitio e o tempo decorrido entre os incêndios. Os resultados obtidos demonstraram que 59,41% do parque foram atingidos por até quatro eventos de incêndios no período considerado, enquanto 1,01% foram atingidos por cinco a nove eventos de queima. Os ambientes onde os incêndios na vegetação não foram registrados incluíram áreas elevadas entremeadas por vales profundos de rios ao norte da cidade de Mucugê. Outras áreas não afetadas por incêndios incluíram florestas estacionais e alguns campos rupestres ao sul e ao leste da cidade citada. O mapa sobre o tempo decorrido desde a última queima mostra que as maiores extensões afetadas no intervalo de tempo que inclui a temporada de 2008 (três a quatro anos), quando 41,93% do parque nacional foram queimados. A análise fitossociológica mostrou uma baixa similaridade entre as áreas e permitiu correlacionar as diferenças encontradas com as fitofisionomias dos sítios amostrados e aspectos edáficos. Apenas o componente graminóide teve sua cobertura média fortemente correlacionada com o tempo médio entre os incêndios (F = 324,7204; r = 0,9969; p = 0,0021). Os resultados obtidos mostram que há uma grande variação no regime de queima entre as diversas áreas do Parque, o que tem implicações para seu manejo. Em áreas onde os focos são menos comuns, o combate direto pode ser recomendado. Em áreas com maior recorrência, a adoção de medidas de controle pode ser mais eficaz. A coincidência observada entre a grande recorrência de incêndios e a ocorrência de sempre-viva-de-mucugê (Comanthera mucugensis (Giul.) L.R. Parra & Giul.) indica a necessidade de medidas adicionais de proteção e pesquisa sobre esta espécie e ecossistemas associados. Palavras-chave: áreas protegidas; Chapada Diamantina; recorrência de fogo.

Biografia do Autor

Cezar Neubert Gonçalves, ICMBio

Parque Nacional da Chapada Diamantina, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade

Felipe Weber Mesquita, Grupo Ambientalista de Palmeiras

Grupo Ambientalista de Palmeiras

Norton Rodrigo Gomes Lima, Universidade Estadual do Sudoeste Baiano

Universidade Estadual do Sudoeste Baiano

Luis Antonio Coslope, ICMBio

Parque Nacional do Itatiaia, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade

Bruno Soares Lintomen, ICMBio

Parque Nacional da Chapada Diamantina, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade

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Publicado

30/12/2011

Edição

Seção

Seção temática