Savanas podem se transformar funcionalmente em florestas na transição Amazônia/Cerrado
DOI:
https://doi.org/10.37002/biobrasil.v11i3.1764Palavras-chave:
Cerradão, Cerrado denso, Marimon-Hay, constante k de decomposição, malha radicularResumo
As formações florestais adjacentes são zonas de ecótono que podem revelar mudanças na estrutura vertical de biomas tropicais, por exemplo, no Cerrado brasileiro. A produção de serapilheira é uma métrica que reflete essas alterações. Dessa maneira, investigamos os principais aspectos funcionais do Cerradão e Cerrado adjacentes na transição Amazônia/Cerrado. Avaliamos a camada de serapilheira, decomposição foliar e malha radicular com o objetivo de verificar até que ponto esses parâmetros estão relacionados ao funcionamento do ecossistema das duas formações distintas, floresta e savana. O sistema integrado de serapilheira/malha radicular é a principal pré-condição para o funcionamento do ecossistema e o equilíbrio trófico de florestas tropicais em solos distróficos. A camada de serapilheira, a malha radicular e as taxas de decomposição foliar foram semelhantes em ambos nos ecossistemas, incluindo a liberação de carbono da camada de serapilheira, apesar das diferenças florísticas e estruturais das vegetações. Essas semelhanças indicam uma densificação do cerrado adjacente com uma pré-estruturação do funcionamento de um ecossistema tipo floresta, principalmente devido à exclusão do fogo. Isso sugere que os ecossistemas de savana em solos distróficos de transição Amazônia/ Cerrado apresentam alto potencial para estabelecer condições funcionais tróficas para sustentar uma comunidade florestal na ausência de fogo e mudanças climáticas. Contanto que o clima atual não mude para condições mais secas e quentes (por exemplo, aumento das anomalias do El Niño), a sucessão ecológica pode ser desencadeada e as savanas podem se transformar funcionalmente em florestas, com um aumento nos estoques de carbono do ecossistema.
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