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Hierarquias e invisibilidades da fauna na conservação da Biodiversidade Brasileira
DOI:
https://doi.org/10.37002/biodiversidadebrasileira.v16i2.2906Palavras-chave:
Diversidade funcional, viés taxonômico, resiliência ecológica , conservação da fauna, monitoramento ambientalResumo
O Brasil abriga uma das maiores biodiversidades do planeta, mas essa megadiversidade convive com práticas de conservação marcadas por hierarquias implícitas que orientam o reconhecimento, o monitoramento e a proteção da biota de forma seletiva. Neste artigo de opinião, argumenta-se que a conservação da biodiversidade brasileira tem sido estruturada por prioridades taxonômicas, funcionais e institucionais que produzem invisibilidades sistemáticas, especialmente em relação a grupos hiperdiversos e a processos ecológicos menos visíveis. Essas hierarquias não apenas definem o que é conservado, mas também moldam a forma como a perda da biodiversidade é percebida, mensurada e enfrentada. A partir de evidências da literatura nacional e internacional, discute-se como o viés em favor de espécies carismáticas, de interesse econômico ou de saúde pública restringe o escopo dos programas de monitoramento, limita a detecção precoce de alterações funcionais e favorece respostas de manejo reativas. O texto destaca que componentes frequentemente invisibilizados, como invertebrados do solo e outros organismos funcionalmente centrais, desempenham papel fundamental na manutenção da diversidade funcional e na resiliência dos ecossistemas, mas permanecem sub-representados em políticas públicas e estratégias de conservação. Por fim, defende-se que reconhecer e problematizar essas hierarquias é uma condição necessária para ampliar o escopo da conservação da biodiversidade no Brasil, tornando-a mais integradora, preventiva e compatível com a complexidade ecológica dos sistemas naturais.
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