Conhecimento e uso de primatas por uma população extrativista no Vale do Juruá, Amazônia
DOI:
https://doi.org/10.37002/biodiversidadebrasileira.v7i2.636Resumo
Caçadores amazônicos citam primatas como seus alvos preferidos de caça. Investigamos aqui a percepção da caça de primatas de sexos diferentes, a diversidade e a preferência do abate de espécies por caçadores de comunidades ribeirinhas na Reserva Extrativista Riozinho da Liberdade. Durante 151 dias de amostragem, foram registrados 188 indivíduos abatidos através de um calendário de caça, correspondente a sete espécies, que totalizaram 697,2kg. O guariba (Alouatta juara) e o cairara (Cebus unicolor) foram as espécies com maior representatividade em número de indivíduos caçados, totalizando, respectivamente, 24 e 23%. Parauacu (Pithecia vanzolinii) e o guariba foram preferidas pelas famílias extrativistas em termos de palatabilidade. O macaco-prego (Sapajus macrochepalus) foi a única espécie citada como de uso medicinal. Caçadores não reconhecem o sexo das espécies durante a atividade de caça; 90% disseram saber diferenciar machos e fêmeas apenas de A. juara, e somente um caçador afirmou reconhecer o sexo de todas as espécies de primatas que ocorrem na reserva. Embora esses dados iniciais não permitam prever a sustentabilidade da caça de primatas na região do estudo, eles mostram o potencial do auxílio do conhecimento tradicional local em pesquisas participativas que podem fornecer subsídios em ações mitigatórias e conjuntas entre serviços sociais e ambientais.
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Copyright (c) 2018 André Valle Nunes, Júlia da Silva Vilela, Pablo de Ávila Saldo, Bráulio Almeida Santos, Erich Fischer

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