Abundância e densidade de primatas na Reserva Biológica do Gurupi, Maranhão, Brasil

Autores

  • Gerson Buss Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros (CPB/ICMBio)
  • Marcos de Souza Fialho Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros (CPB/ICMBio)
  • Leandro Jerusalinsky Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros (CPB/ICMBio)
  • Renata Bocorny de Azevedo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros (CPB/ICMBio)
  • Sandro Leonardo Alves Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros (CPB/ICMBio)
  • Marcelo Derzi Vidal Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Sociobiodiversidade Associada a Povos e Comunidades Tradicionais/CNPT
  • Eloisa Neves Mendonça Reserva Biológica do Gurupi - ICMBio

DOI:

https://doi.org/10.37002/biodiversidadebrasileira.v7i2.721

Resumo

A Área de Endemismo Belém apresenta apenas cerca de 30% de sua cobertura florestal primitiva, e os seus remanescentes florestais estão fortemente impactados pelo desmatamento. A Reserva Biológica do Gurupi, localizada no Maranhão, com aproximadamente 270 mil hectares, é a única unidade de conservação federal de proteção integral na Área de Endemismo Belém a abrigar populações de Cebus kaapori (caiarara-ka'apor) e Chiropotes satanas (cuxiú-preto), espécies criticamente ameaçadas de extinção. Em 1992, foi feito o primeiro levantamento da abundância de primatas nessa unidade de conservação e, após 21 anos, este estudo buscou fornecer dados atuais sobre a abundância desses primatas por meio da aplicação dos mesmos métodos. Para estimar a abundância das populações das espécies de primatas presentes na Reserva Biológica do Gurupi, foi utilizado o método de transecção linear. As amostragens foram realizadas em uma rede de trilhas situadas em três diferentes regiões da unidade. Entre 9 e 16 de outubro de 2013, foram percorridos 320km, e obtidos 101 avistamentos de cinco das sete espécies presentes na Reserva. As espécies Saimiri collinsi e Aotus infulatus não foram visualizadas. O sagui-una (Saguinus ursulus), com 1 grupo/10km, foi a espécie mais frequente, seguida do macaco-prego (Sapajus apella), com 0,91 grupos/10km, e do guariba-de-mãos-ruivas (Alouatta belzebul), com 0,72 grupos/10km. As espécies criticamente ameaçadas - o caiarara (Cebus kaapori) e o cuxiú-preto (Chiropotes satanas) - também foram registradas, mas com taxas de encontro mais baixas, de 0,25 e 0,28 grupos/10km, respectivamente. Esses resultados são similares aos do inventário de 1992. Contudo, a taxa de encontro para Cebus kaapori foi maior neste estudo. Apesar de ser uma unidade de conservação, a Reserva Biológica do Gurupi ainda sofre uma série de ameaças, como a caça de animais silvestres, a exploração ilegal de madeira, o desmatamento e as queimadas. Essas ameaças colocam em risco a conservação dos primatas, sobretudo as mencionadas espécies criticamente ameaçadas de extinção.

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Biografia do Autor

Gerson Buss, Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros (CPB/ICMBio)

Biólogo com Mestrado e Doutorado em Ecologia Terrestre (UFRGS). Área de trabalho: ecologia e conservação de primatas brasileiros.

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Publicado

03-04-2018