Abundância e densidade de primatas na Reserva Biológica do Gurupi, Maranhão, Brasil
DOI:
https://doi.org/10.37002/biodiversidadebrasileira.v7i2.721Resumo
A Área de Endemismo Belém apresenta apenas cerca de 30% de sua cobertura florestal primitiva, e os seus remanescentes florestais estão fortemente impactados pelo desmatamento. A Reserva Biológica do Gurupi, localizada no Maranhão, com aproximadamente 270 mil hectares, é a única unidade de conservação federal de proteção integral na Área de Endemismo Belém a abrigar populações de Cebus kaapori (caiarara-ka'apor) e Chiropotes satanas (cuxiú-preto), espécies criticamente ameaçadas de extinção. Em 1992, foi feito o primeiro levantamento da abundância de primatas nessa unidade de conservação e, após 21 anos, este estudo buscou fornecer dados atuais sobre a abundância desses primatas por meio da aplicação dos mesmos métodos. Para estimar a abundância das populações das espécies de primatas presentes na Reserva Biológica do Gurupi, foi utilizado o método de transecção linear. As amostragens foram realizadas em uma rede de trilhas situadas em três diferentes regiões da unidade. Entre 9 e 16 de outubro de 2013, foram percorridos 320km, e obtidos 101 avistamentos de cinco das sete espécies presentes na Reserva. As espécies Saimiri collinsi e Aotus infulatus não foram visualizadas. O sagui-una (Saguinus ursulus), com 1 grupo/10km, foi a espécie mais frequente, seguida do macaco-prego (Sapajus apella), com 0,91 grupos/10km, e do guariba-de-mãos-ruivas (Alouatta belzebul), com 0,72 grupos/10km. As espécies criticamente ameaçadas - o caiarara (Cebus kaapori) e o cuxiú-preto (Chiropotes satanas) - também foram registradas, mas com taxas de encontro mais baixas, de 0,25 e 0,28 grupos/10km, respectivamente. Esses resultados são similares aos do inventário de 1992. Contudo, a taxa de encontro para Cebus kaapori foi maior neste estudo. Apesar de ser uma unidade de conservação, a Reserva Biológica do Gurupi ainda sofre uma série de ameaças, como a caça de animais silvestres, a exploração ilegal de madeira, o desmatamento e as queimadas. Essas ameaças colocam em risco a conservação dos primatas, sobretudo as mencionadas espécies criticamente ameaçadas de extinção.
Downloads
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2018 Gerson Buss, Marcos de Souza Fialho, Leandro Jerusalinsky, Renata Bocorny de Azevedo, Sandro Leonardo Alves, Marcelo Derzi Vidal, Eloisa Neves Mendonça

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
Os autores retêm os direitos autorais dos trabalhos publicados, que podem ser reutilizados e divulgados em outros meios, desde que a fonte de publicação original (revista Biodiversidade Brasileira) seja citada.







