Atributos, objetivos e categorização das áreas de proteção ambiental no Brasil

Autores

  • Demetrio Luís Guadagnin Universidade Federal do Rio Grande do Sul/UFRGS Porto Alegre, RS, Brasil. https://orcid.org/0000-0003-4920-3709
  • Mateus Francesco Marin Universidade Federal do Rio Grande do Sul/UFRGS Porto Alegre/RS, Brasil.

DOI:

https://doi.org/10.37002/biodiversidadebrasileira.v15i4.2577

Palavras-chave:

Áreas protegidas, plano de manejo, categoria, gestão ambiental

Resumo

Neste Trabalho, investigamos como são declarados, priorizados e inter-relacionados os atributos e objetivos das áreas de proteção ambiental (APAs) em comparação com os critérios e categorias da IUCN. Selecionamos para estudo dez APAs, nas cinco regiões brasileiras. Extraímos dos decretos de criação e planos de manejo informações sobre objetivos e atributos ambientais e culturais. Os objetivos declarados nos documentos oficiais das APAs permitem seu enquadramento tanto na categoria V quanto na categoria VI da IUCN, em parte por serem apresentados de forma imprecisa ou genérica e não hierarquizada. Encontramos maior correspondência dos objetivos com a categoria V, especialmente pela ausência de menções e evidência da existência de paisagens culturais e culturas tradicionais, interesse na promoção do turismo e recreação, manutenção de serviços ecossistêmicos e uso sustentável dos recursos naturais. Os resultados indicam que não existe boa concordância entre os atributos biológicos, físicos e culturais mencionados nos documentos oficiais e os objetivos declarados. Emerge como padrão tratar-se de áreas com elevada intervenção humana em uma dinâmica de progressiva apropriação de espaços e recursos, ainda com grande valor de conservação. A APA é uma categoria importante no portfólio brasileiro de áreas protegidas. O enquadramento sempre envolve algum grau de desajuste com princípios gerais dadas as peculiaridades locais. O caráter único de cada APA, claramente estabelecido pelos atributos presentes e valorizado na hierarquização dos objetivos, permite orientar de forma segura quais ações devem ser priorizadas localmente.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

1. Dudley N. Guidelines for applying protected area management categories. Gland: IUCN; 2008. DOI: https://doi.org/10.2305/IUCN.CH.2008.PAPS.2.en

2. Ministério do Meio Ambiente. Convenção da Diversidade Biológica. Serie Biodiversidade. Brasília: Ministério do Meio Ambiente, Secretaria de Biodiversidade e Florestas, Departamento de Áreas Protegidas; 2000.

3. Watson JEM, Dudley N, Segan DB, Hockings M. The performance and potential of protected areas. Nature. 2014; 515(7525): 67–73. DOI: https://doi.org/10.1038/nature13947

4. Garcia LM, Moreira JC, Burns R. Conceitos geográficos na gestão das unidades de conservação brasileiras. GEOgraphia. 2018; 20(42): 53–62. DOI: https://doi.org/10.22409/geographia.v20i42.823

5. Bruner AG, Gullison RE, Rice RE, Da Fonseca GAB. Effectiveness of parks in protecting tropical biodiversity. Science. 2001; 291(5501): 125–8. DOI: https://doi.org/10.1126/science.291.5501.125

6. Dudley BN, Higgins-zogib L, Hockings M, Mackinnon K, Sandwith T. National Parks with Benefits : How Protecting the Planet’s Biodiversity Also Provides Ecosystem Services. Solutions. 2011; 2(6): 87–95.

7. Silva JIAO. As Unidades De Conservação, Conforme a Lei No 9.985/2000: Suas Características e Regime Jurídico-Ambientais. Revista Direito e Liberdade. 2009; 8(1): 309–34.

8. Pereira PF, Scardua FP. Espaços territoriais especialmente protegidos: conceito e implicações jurídicas. Ambiente & Sociedade. junho de 2008; 11(1): 81–97. DOI: https://doi.org/10.1590/S1414-753X2008000100007

9. Medeiros R. Evolução das tipologias e categorias de áreas protegidas no Brasil. Ambiente & Sociedade. 2006; 9: 41–64. DOI: https://doi.org/10.1590/S1414-753X2006000100003

10. Lopes JG, Vialôgo TM. Unidades de Conservação no Brasil. Revista JurisFIB. 2013; 4(4): 79–109. DOI: https://doi.org/10.59237/jurisfib.v4i4.161

11. Ministério do Meio Ambiente. Informe nacional sobre áreas protegidas no Brasil. Brasília: Ministério do Meio Ambiente; 2007.

12. Dudley N, Parrish JD, Redford KH, Stolton S. The revised IUCN protected area management categories: The debate and ways forward. ORYX. 2010; 44(4): 485–90. DOI: https://doi.org/10.1017/S0030605310000566

13. Guerrero NR, Torres M, Camargo M. Exclusão Participativa: conflitos em torno da gestão de unidades de conservação ambiental. Anais do V Simpósio Internacional de Geografia Agrária e VI Simpósio Nacional de Geografia Agrária. Belém: UFPA; 2011.

14. Child G, MacKinnon JR, MacKinnon K, Thorsell JW. Managing protected areas in the tropics [Internet]. Gland: IUCN--The World Conservation Union; 1986.

15. Phillips A. Management guidelines for IUCN category V protected areas: protected landscapes/seascapes. Gland, Switzerland: IUCN--the World Conservation Union; 2002. DOI: https://doi.org/10.2305/IUCN.CH.2002.PAG.9.en

16. Brown J, Mitchell N, Beresford M, organizadores. The protected landscape approach: linking nature, culture, and community. Gland, Switzerland: IUCN--The World Conservation Union; 2005. DOI: https://doi.org/10.2305/IUCN.CH.2005.2.en

17. Beresford M, Phillips A. Protected Landscapes: A Conservation Model for the 21st Century. The George Wright Forum. 2000; 17(1): 15–26.

18. Welch G. RSPB Generic site management planning format and guidance notes [Internet]. Bedfordshire: Royal Society for the Protection of Birds; 2004.

19. Haines-Young R, Potschin-Young M. Revision of the Common International Classification for Ecosystem Services (CICES V5.1): A Policy Brief. OE. 11 de junho de 2018; 3: e27108. DOI: https://doi.org/10.3897/oneeco.3.e27108

20. Reid W, Mooney H, Cropper A, Capistrano D, Carpenter S, Chopra K, et al. Millennium Ecosystem Assessment. Ecosystems and human well-being: synthesis. Washington, D.C.: Island Press; 2005.

21. Reid W, Mooney H, Cropper A, Capistrano D, Carpenter S, Chopra K. Relatório Síntese da Avaliação Ecossistêmica do Milênio. Minuta Final. [Internet]. 2005.

22. Akoglu H. User’s guide to correlation coefficients. Turkish Journal of Emergency Medicine. 1o de setembro de 2018; 18(3): 91–3. DOI: https://doi.org/10.1016/j.tjem.2018.08.001

23. Meyer D, Zeileis A, Hornik K. vcd: Visualizing Categorical Data_. R package version 1.4-11, https://CRAN.R-project.org/package=vcd. 2023.

24. R Development Core team. R Development Core Team [Internet]. R: A Language and Environment for Statistical Computing. Vienna, Austria: R Foundation for Statistical Computing; 2018.

25. Agra-Filho SS. Proposta de configuração dos planos de gestão ambiental no gerenciamento costeiro. Brasília: Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal; 1994.

26. IBAMA, GTZ. Roteiro Metodológico para o Planejamento de Unidades de Conservação de Uso Indireto. IBAMA/GTZ. Documento interno. Brasília: Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis; 1996.

27. Galante MLV, Beserra MML, Menezes EO. Roteiro Metodológico de Planejamento – Parques Nacionais, Reservas Biológicas e Estações Ecológicas. Brasília: Ministério do Meio Ambiente; Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis; 2002.

28. D’Amico AR, Coutinho E de O, Moraes LFP de. Roteiro metodológico para elaboração e revisão de planos de manejo das unidades de conservação federais. Brasília: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade; 2018.

29. Rylands A, Brandon K. Unidades de conservação brasileiras. Megadiversidade. 2005; 1(1): 27–35.

30. Pillar VDP, Müller SC, Castilhos ZM de S, Jacques AVÁ. Campos Sulinos - conservação e uso sustentável da biodiversidade. Campos Sulinos - conservação e uso sustentável da biodiversidade. Brasília: Ministério do Meio Ambiente; 2009.

31. Pillar V, Vélez-Martin E. Extinção dos Campos Sulinos em Unidades de Conservação: um Fenômeno Natural ou um Problema ético? Natureza & Conservação. 2010; 8: 84–6. DOI: https://doi.org/10.4322/natcon.00801014

32. Teixeira W, Kern D, Madari B, Lima H, Woods W. As terras pretas de índio da Amazônia : sua caracterização e uso deste conhecimento na criação de novas áreas. Manaus: Embrapa Amazônia Ocidental; 2009.

33. Levis C, Flores BM, Moreira PA, Luize BG, Alves RP, Franco-Moraes J, et al. How People Domesticated Amazonian Forests. Frontiers in Ecology and Evolution. 2018; 5:art.171. DOI: https://doi.org/10.3389/fevo.2017.00171

34. Agostinho J de. Arqueólogos descobrem conjunto de ilhas artificiais pré-coloniais na Amazônia [Internet]. Ecoamazônia. 2020 [citado 14 de dezembro de 2023]. Disponível em: https://mamiraua.org.br/noticias/arqueologia-ilhas-artificiais-pre-coloniais-amazonia-antiga

35. Ferreira L da C. Conflitos sociais e o uso de recursos naturais: breves comentários sobre modelos teóricos e linhas de pesquisa. Política & Sociedade. 2005; 4(7): 105–18.

36. Ferreira L da C. Dimensões humanas da biodiversidade: mudanças sociais e conflitos em torno de áreas protegidas no Vale do Ribeira, SP, Brasil. Ambiente & Sociedade; 2004: 7: 47–66. DOI: https://doi.org/10.1590/S1414-753X2004000100004

37. Silva M do SF da, Souza RM e. Unidades de conservação como estratégia de gestão territorial dos recursos naturais. Terr@ Plural. 2009; 3(2): 241–60. DOI: https://doi.org/10.5212/TerraPlural.v.3i2.241260

38. Santos AÁB. O direito da gestão do espaço ecológico-econômico e seus institutos como uma das ferramentas para a transição paradigmática da teoria e prática do direito. Rev Fund Esc Super Minist Público Dist Fed Territ. 2002; 20: 11–20.

39. Diegues AC. O mito moderno da natureza intocada [Internet]. 2o ed. São Paulo: HUCITEC; 1998.

40. Teixeira C. O desenvolvimento sustentável em unidade de conservação: a “naturalização” do social. Rev bras Ci Soc. 2005; 20: 51–66. DOI: https://doi.org/10.1590/S0102-69092005000300004

41. Irving MDA. Áreas Protegidas e Inclusão Social: Construindo Novos Significados. Rio de Janeiro: Fundação Bio-Rio, Núcleo de Produção Editorial Aquarius; 2006.

42. Figueiredo TA de S, Lopes MN. Rede Ribeirinha de Comunicação: estratégia de gestão participativa em Unidades de Conservação de Uso Sustentável. Inovcom. 2007; 9–17.

43. Costa ACG, Murata AT. A Problemática Socioambiental nas Unidades de Conservação: Conflitos e discursos pelo uso e acesso aos recursos naturais. Sustainability in Debate. 2015; 6(1): 86–100. DOI: https://doi.org/10.18472/SustDeb.v6n1.2015.12157

44. Souza R de, Maciel TM de FB. O aparato legal brasileiro e a temática da participação em áreas protegidas. Anais do Uso Público em Unidades de Conservação. 2015; 3(7): 64–73. DOI: https://doi.org/10.47977/2318-2148.2015.v3n7p64

45. Andrade FAV, Lima VT de A. Gestão participativa em unidades de conservação: uma abordagem teórica sobre a atuação dos conselhos gestores e participação comunitária. Revista Eletrônica Mutações. 2016; 7(13): 021–40.

46. Andrade RF de. Reservas Extrativistas: Contradições e Conflitos no Modelo de Gestão. Em: Estudos em Direito Ambiental - Territorialidade, racionalidade e decolonialidade. Campina Grande: Editora Licuri; 2022; 245-261. DOI: https://doi.org/10.58203/Licuri.839214

47. Gudynas E. Extractivisms: Politics, Economy and Ecology. Rugby: Practical Action; 2020. DOI: https://doi.org/10.3362/9781788530668

48. Fonseca PCD. Desenvolvimentismo: A construção do conceito. [Internet]. Brasília: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA); 2015 [citado 15 de setembro de 2023]. 59 p. (Texto para discussão). Disponível em: http://hdl.handle.net/10419/121580

49. Gaonkar DP. Alternative Modernities. Durham, NC: Duke University Press; 2001. 382 p.

50. Carrillo AC, D’Amico AR, Vasconcelos J, Luz L, Hangae L, Catapan M, organizadores. Lições aprendidas sobre o Diagnóstico para Elaboração de Planos de Manejo de Unidades de Conservação. Brasília: WWF; 2013.

51. Mercadante M. Uma década de debate e negociação: a história da elaboração da Lei do SNUC. Em: Direito Ambiental das Áreas Protegidas: o Regime Jurídico das Unidades de Conservação. Rio de Janeiro: Forense Universitária; 2001.

52. Kellert SR, Mehta JN, Ebbin SA, Lichtenfeld LL. Community natural resource management: Promise, rhetoric, and reality. Society and Natural Resources. 2010; 13(8): 705–15. DOI: https://doi.org/10.1080/089419200750035575

53. Conservation Study Institute, IUCN--The World Conservation Union, QLF/Atlantic Center for the Environment. Landscape conservation : an international working session on the stewardship of protected landscapes. Woodstock, USA: Conservation Study Institute, US; 2001.

54. Maretti CC, Wadt LHO, Gomes-Silva DAP, Maldonado, Sanches RA, Coutinho F, et al. From pre-assumptions to a ‘just world conserving nature’: the role of Category VI in protecting landscapes. Em: Brown J, Mitchell N, Beresford M, organizadores. The protected landscape approach: linking nature, culture, and community. Gland, Switzerland: IUCN--The World Conservation Union; 2005. p. 47–64.

Publicado

04-12-2025

Edição

Seção

Fluxo contínuo