Colônias reprodutivas de Zenaida auriculata noronha na Área de Proteção Ambiental Chapada do Araripe: monitoramento e impactos de atividades antrópicas
DOI:
https://doi.org/10.37002/biodiversidadebrasileira.v16i1.2758Palavras-chave:
Avoante , caatinga, caça, predação, linhas de transmissãoResumo
A avoante (Zenaida auriculata) possui ampla ocorrência na América do Sul e sua subespécie Z. a. noronha se destaca por formar grandes bandos durante a época reprodutiva, seguindo a movimentação das chuvas na Caatinga. A concentração de muitos indivíduos torna a espécie suscetível à caça ilegal, bem como a colisões com estruturas antrópicas. Neste trabalho, apresentamos resultados do monitoramento de avoantes na região de Caldeirão Grande do Piauí, envolvendo captura, anilhamento, estimativas populacionais, registro da presença de predadores e avaliação preliminar de impactos antrópicos sobre essa subespécie, obtidos ao longo de três
expedições, entre 2013 e 2022. Avaliamos os impactos de aerogeradores e linhas de transmissão e distribuição de energia elétrica sobre a subespécie. Capturamos 2.540 indivíduos nas três campanhas e nossas estimativas populacionais variaram de 787.813 (2022) a 3.852.667 indivíduos adultos (2013). Observamos 24 espécies de predadores e três espécies saprófagas nas áreas das colônias durante as expedições, sendo 20 espécies de aves, cinco de mamíferos e duas de répteis. As linhas de transmissão e distribuição de energia foram responsáveis por uma mortalidade estimada em 7,21% (n = 96.552) da população da colônia monitorada em 2022, evidenciando a importância do impacto desse tipo de empreendimento sobre a espécie. Neste trabalho discutimos como a caça ilegal e as linhas de transmissão e de distribuição podem impactar negativamente a população de avoantes, chamando atenção para a necessidade e importância da fiscalização e do emprego de medidas que diminuam o efeito negativo da rede elétrica para essa subespécie.
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