Manejo do fogo por povos indígenas e comunidades tradicionais no Brasil
DOI:
https://doi.org/10.37002/biodiversidadebrasileira.v9i1.1328Keywords:
Conhecimento ecológico tradicional, manejo integrado do fogo, Combate aos incêndios florestaisAbstract
Os conhecimentos tradicionais de manejo do fogo são reconhecidos internacionalmente como estratégicos para mitigação e adaptação à s mudanças climáticas, conservação da biodiversidade e serviços ecossistêmicos, e para apoiar o Manejo Integrado do Fogo. Este trabalho visa trazer um balanço sobre a diversidade dos usos do fogo no Brasil, revisitando as causas dos incêndios e identificando possibilidades de diálogo de saberes sobre o problema. Os resultados são baseados em uma revisão da literatura e em experiências sobre manejo do fogo em diversas regiões e contextos socioculturais do país. A multiplicidade e a regularidade dos usos do fogo realizados por comunidades indígenas, quilombolas e tradicionais tem motivações produtivas, mas também simbólicas, envolvendo práticas coletivas e individuais de manejo da paisagem em diferentes escalas. Para muitas destas comunidades, a recorrência dos incêndios começou a ficar evidente a partir dos anos 2000 e está relacionada a diversos fatores interdependentes. As mudanças climáticas, associadas a alterações nas condições ambientais, políticas e econômicas aumentaram as fontes de ignição e geraram um acúmulo de combustível homogêneo, as quais modificam a sazonalidade das queimas e o comportamento do fogo. Por outro lado, a recorrência de incêndios, aliada à quebra gradual do paradigma do fogo-zero, abriram possibilidades de diálogo entre gestores, pesquisadores e populações tradicionais, propiciando um melhor entendimento da complexidade e das transformações dos usos locais e dos comportamentos do fogo. Apesar desta mudança de paradigma, ainda é necessário efetivar um diálogo entre diferentes esferas e escalas de governança ambiental para que se reconheça e respeite o caráter dinâmico e inovador dos conhecimentos tradicionais de manejo de fogo. Em muitas regiões, o discurso anti-fogo é promovido pelos atores do agronegócio, como parte de uma narrativa contestando os direitos territoriais dos povos e comunidades tradicionais. Além disso, a literatura sobre o assunto mostra ainda uma separação entre uma "ciência objetiva" e "usos tradicionais" do fogo, incorporando apenas parcialmente os conhecimentos ecológicos tradicionais nas decisões de manejo. A realização de atividades conjuntas de monitoramento, planejamento e experimento relacionados ao fogo podem criar ambientes de aprendizagem onde os diferentes atores contribuem para elaborar estratégias adaptativas à s mudanças de regime de fogo.
Downloads
References
Subtema 1 - indicação editor chefe
Downloads
Published
Issue
Section
License
Copyright (c) 2019

This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
The authors retain copyright to the published works, which may be reused and disseminated in other media, provided that the original publication source (Biodiversidade Brasileira journal) is cited.








