Mamíferos atropelados em rodovias do Brasil central: contribuições para a ecologia de estradas e coleções científicas
DOI:
https://doi.org/10.37002/biodiversidadebrasileira.v15i4.2823Palavras-chave:
Cerrado, CMUEG, Mata Atlântica, GO-206Resumo
Os atropelamentos são uma das principais causas de mortalidade de mamíferos em rodovias, ameaçando a persistência de suas populações em paisagens fragmentadas. Neste estudo, registramos mamíferos atropelados em rodovias e estradas do Brasil central e enriquecemos a coleção científica CMUEG com as carcaças coletadas. Durante 267 incursões, registramos 88 mamíferos de 18 espécies mortos por atropelamento e coletamos os crânios de 17 indivíduos pertencentes a 12 espécies. Cerdocyon thous (n = 24), Euphractus sexcinctus (n = 15) e Myrmecophaga tridactyla (n = 13) foram as espécies mais atropeladas. Entre os animais atropelados, destacam-se espécies ameaçadas de extinção, como a anta, o lobo-guará, o tamanduá- bandeira e o tatu-canastra. Nossos achados contribuem para o conhecimento sobre a composição e estrutura da fauna de mamíferos atropelada em rodovias estaduais e federais, em uma área de transição entre o Cerrado e a Mata Atlântica, além de fornecerem dados importantes para a coleção de mamíferos da Universidade Estadual de Goiás.
Downloads
Referências
1. Forman RTT. Road ecology: a solution for the giant embracing us. Landsc Ecol. 1998; 13: 2–5. https://doi.org/10.1023/A:1008036602639. DOI: https://doi.org/10.1023/A:1008036602639
2. Grilo C, et al. Global Roadkill Data: a dataset on terrestrial vertebrate mortality caused by collision with vehicles. SciData. 2025;12(505).
https://doi.org/10.1038/s41597-024-04207-x DOI: https://doi.org/10.1038/s41597-024-04207-x
3. Laurance WF, Goosem M, Laurance SGW. Impacts of roads and linear clearings on tropical forests. Trends Ecol Evol. 2009; 24(12): 659–669. https://doi.org/10.1016/j.tree.2009.06.009 DOI: https://doi.org/10.1016/j.tree.2009.06.009
4. Forman RTT, Alexander LE. Roads and their major ecological effects. Annu Rev Ecol Evol Syst. 1998; 29: 207-231. https://doi.org/10.1146/annurev.ecolsys.29.1.207 DOI: https://doi.org/10.1146/annurev.ecolsys.29.1.207
5. Barrientos R, Ascensão F, D’Amico M, Grilo C, Pereira HM. The lost road: Do transportation networks imperil wildlife population persistence? Persp Ecol Conser. 2021; 19(4): 411–416. https://doi.org/10.1016/j.pecon.2021.07.004 DOI: https://doi.org/10.1016/j.pecon.2021.07.004
6. Dornas RAP, Kindel A, Bager A, Freitas R. Avaliação da mortalidade de vertebrados em rodovias no Brasil. In A. Bager (Org.), Ecologia de estradas: tendências e pesquisas (pp. 139–152). 2012; Lavras: UFLA.
7. Ascensão F, Yogui DR, Alves MH, Alves AC, Abra F, Desbiez AL. Preventing wildlife roadkill can offset mitigation investments in short-medium term. Biol Conserv. 2021; 253: 108902. https://doi.org/10.1016/j.biocon.2020.108902 DOI: https://doi.org/10.1016/j.biocon.2020.108902
8. Rytwinski T, Soanes K, Jaeger JAG, et al. How effective is road mitigation at reducing road-kill? A meta-analysis. PLoS ONE. 2016; 11(11): e0166941. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0166941 DOI: https://doi.org/10.1371/journal.pone.0166941
9. Abra FD, Huijser MP, Magioli M, Bovo AAA, de Barros KMPM. An estimate of wild mammal roadkill in São Paulo state, Brazil. Heliyon. 2021; 7(1): e05957. https://doi.org/10.1016/j.heliyon.2021.e06015 DOI: https://doi.org/10.1016/j.heliyon.2021.e06015
10. Alvarez MRDV, Loretto D. A coleta de mamíferos encontrados mortos e o aproveitamento em coleções científicas. Braz J Mammalogy. 2021; (90): e902021139. https://doi.org/10.32673/bjm.vie90.39 DOI: https://doi.org/10.32673/bjm.vie90.39
11. Meineke EK, Davies TJ, Daru BH, Davis CC. Biological collecitons for undestanding biodiversity in the Anthropocene. Philos Trans R Soc B. 2019;374(1763):2017038. https://doi.org/10.1098/rstb.2017.0386 DOI: https://doi.org/10.1098/rstb.2017.0386
12. Teta P. Biodiversidad, colecciones biológicas y colecta de especímenes ¿por qué tenemos que seguir colectando? Mastozool Neotrop. 2021; 28(1): https://doi.org/10.31687/saremMN.21.28.1.0.37 DOI: https://doi.org/10.31687/saremMN.21.28.1.0.37
13. ICMBio. Instrução Normativa nº 3, de 1º de setembro de 2014. Regulamenta a coleta de material biológico para estudos científicos. Brasília: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade; 2014.
14. Myers N, et al. Biodiversity hotspots for conservation priorities. Nature. 2000; 403(6772): 853–858. https://doi.org/10.1038/35002501 DOI: https://doi.org/10.1038/35002501
15. Abreu EF, et al. Lista de Mamíferos do Brasil (2024-1) [15/07/25]. 2024; Zenodo. https://doi.org/10.5281/zenodo.14536925.
16. Oksanen J, et al. vegan: Community Ecology Package. R package version 2.6-4. 2022. https://CRAN.R-project.org/package=vegan
17. R Core Team (2022). R: A language and environment for statistical computing. R Foundation for Statistical Computing, Vienna, Austria. URL https://www.R-project.org/
18. Hannibal W, et al. Checklist of mammals from Goiás, central Brazil. Biota Neotrop. 2021; 21(2): e20201173. https://doi.org/10.159/1676-0611-BN-2020-1173
19. Hannibal W, Dias ACB, Claro HWP, Figueiredo VV. Coleção de Mamíferos da Universidade Estadual de Goiás [CMUEG]: dados para a região Centro-Oeste do Brasil. Braz J Mammalogy. 2021; (90): e90202115.https://doi.org/10.32673/bjm.vie90.15. DOI: https://doi.org/10.32673/bjm.vie90.15
20. Araujo LAF, Hannibal W, Costa RRGF, Rossi RF, Claro HWP. Efeito da paisagem sobre atropelamento de mamíferos de médio e grande porte no sul de Goiás, Brasil. Oecol Aust. 2020; 24(1): 164–172. https://revistas.ufrj.br/index.php/oa/article/view/25233 DOI: https://doi.org/10.4257/oeco.2020.2401.13
21. Cáceres NC, et al. Mammal occurrence and roadkill in two adjacent ecoregions (Atlantic Forest and Cerrado) in south-western Brazil. Zoologia. 2010; 27(5): 709–717. https://doi.org/10.1590/S1984-46702010000500007 DOI: https://doi.org/10.1590/S1984-46702010000500007
22. Collinson WJ, Parker DM, Bernard RTF, reilly BK, Davies-Mostert HT. Wildlife road traffic accidents: a standardized protocal for counting flattened fauna. Ecol Evol. 2014; 10(4): 3060–3071. https://doi.org/10.1002/ece3.1097 DOI: https://doi.org/10.1002/ece3.1097
23. Gumier-Costa F, Sperber CF. Atropelamentos de vertebrados na Floresta Nacional de Carajás, Pará, Brasil. Acta Amazonica. 2009; 39(2): 459–466. https://doi.org/10.1590/S0044-59672009000200027 DOI: https://doi.org/10.1590/S0044-59672009000200027
24. Miranda JES, et al. New records of the Kinkajou, Potos flavus (Schreber, 1774) (Mammalia, Carnivora) in the Cerrado. Check List. 2018; 14(2): 357–361. https://doi.org/10.15560/14.2.357 DOI: https://doi.org/10.15560/14.2.357
25. Querido LCA, Guimarães AF, Rosa C, Sayer EJ, Passamani M. Understanding distribution and survey gaps of mammals from the Atlantic Forest and Cerrado biomes. Biota Neotrop. 2024; 24(2): e20231569. https://doi.org/10.1590/1676-0611-BN-2023-1569 DOI: https://doi.org/10.1590/1676-0611-BN-2023-1569
26. Vale MM, et al. Ecosystem services delivered by Brazilian mammals: spatial and taxonomic patterns and comprehensive list of species. Persp Ecol Conserv. 2023; 21: 302–310. https://doi.org/10.1016/j.pecon.2023.10.003 DOI: https://doi.org/10.1016/j.pecon.2023.10.003
27. Hendges CD, Bubadué JM, Cáceres NC. Environment and space as drivers of variation in skull shape in two widely distributed South-American Tayassuidae. Biol J Linn Soc. 2016; 119: 785–798. https://doi.org/10.1111/bij.12859 DOI: https://doi.org/10.1111/bij.12859
28. Melo NB, Cáceres NC, Bubadué JM. Variação do dimorfismo sexual do tamanho da mandíbula em Primates (Catarrhini, Platyrrhini e Strepsirrhini). Mastozool Neotrop. 2023; 30(1): e0779. https://doi.org/10.31687/saremMN.23.30.1.03.e0779 DOI: https://doi.org/10.31687/saremMN.23.30.1.03.e0779
29. Chiquito EA, et al. Mammal collections in Brazil: overview and database. Braz J Mammalogy. 2021; (90):e90202115. https://doi.org/10.32673/bjm.vie90.05 DOI: https://doi.org/10.32673/bjm.vie90.5
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Rafael Gabriel Cabral Filho, Camilla Angélica de Lima, Wellington Hannibal

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
Os autores retêm os direitos autorais dos trabalhos publicados, que podem ser reutilizados e divulgados em outros meios, desde que a fonte de publicação original (revista Biodiversidade Brasileira) seja citada.







