Primatas do Parque Nacional do Jamanxim/PA: riqueza, distribuição e ameaças
DOI:
https://doi.org/10.37002/biodiversidadebrasileira.v7i2.719Resumo
O Parque Nacional do Jamanxim (PARNA do Jamanxim) está localizado no sudoeste do Pará e propicia a conectividade entre as unidades de conservação (UCs) da Terra do Meio e da bacia do Rio Tapajós, no interflúvio Tapajós-Xingu, região que abriga considerável riqueza de primatas, inclusive espécies ameaçadas de extinção. Além da estrada BR-163 (Cuiabá-Santarém), que atravessa essa UC, ainda está prevista a construção de uma ferrovia e de complexos hidrelétricos no interior da unidade, tornando urgente a ampliação do conhecimento sobre a biota local. No entanto, ainda não existe um inventário dos primatas que ocorrem na UC. O presente estudo teve como objetivo realizar um levantamento da comunidade de primatas do PARNA do Jamanxim e caracterizar as principais ameaças à sobrevivência de suas populações. A riqueza de primatas foi determinada considerando informações resultantes de três inventários distintos: i) Projeto Integrado MCT-Embrapa (PIME) na Amazônia (2008-2010); ii) Avaliação Ecológica Rápida para o Diagnóstico Faunístico do Mosaico de UCs da Terra do Meio (2009); e iii) inventário realizado pelo Projeto Primatas em Unidades de Conservação da Amazônia (PUCA), do ICMBio (2012). Foram observadas, diretamente, sete das oito espécies esperadas na unidade: Mico leucippe, Sapajus apella, Aotus infulatus, Plecturocebus moloch, Chiropotes albinasus, Alouatta discolor e Ateles marginatus. As entrevistas confirmaram a presença do mão-de-ouro (Saimiri ustus), cuja ocorrência era esperada, mas não foi observada. Das espécies encontradas, as duas espécies de atelídeos encontram-se ameaçadas de extinção: o coatá-da-testabranca (Ateles marginatus), "Em Perigo" (EN), e o guariba-de-mãos-ruivas (Alouatta discolor), "Vulnerável" (VU). Esta última foi observada com bastante frequência nas margens do Rio Jamanxim. O Mico leucippe foi registrado nas duas margens do Rio Jamanxim. Os limites de distribuição entre Plecturocebus moloch e Plecturocebus vieirai precisam ser estabelecidos com mais precisão, bem como a possibilidade de ocorrência do Mico emiliae na área sul do PARNA. Além das ameaças existentes, a recente pavimentação da BR-163 e a previsão de construção de hidrelétricas de grande porte no Rio Jamanxim geram a perspectiva de aumento da pressão antrópica, constituindo as principais ameaças ao futuro dessa importante UC e de sua comunidade de primatas.
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