Assembleia de aves da Floresta do Gurupi: quem é quem no último remanescente florestal contínuo no sudeste da Amazônia
DOI:
https://doi.org/10.37002/biodiversidadebrasileira.v15i3.2525Keywords:
Centro de Endemismo Belém , conservação das aves , fragmentação de florestasAbstract
Amostramos a ocorrência de espécies de aves em duas trilhas com 12 pontos cada, durante quatro contagens: duas na estação seca e dois na chuvosa, entre junho de 2010 e dezembro de 2013, na borda sul da Reserva Biológica do Gurupi (GBR nas siglas em inglês), Maranhão, no Centro de Endemismo Belém (BCE nas siglas em inglês), a mais oriental e uma das mais ameaçadas das regiões da Amazônia. O objetivo principal foi estudar a composição da assembleia de aves da área. Registramos 182 espécies de 41 famílias, sendo que a riqueza total em espécies da mancha contínua de floresta de terra firme foi estimada em 250 espécies. A diversidade total Shanon foi de 4,253, sendo similar entre locais e estações do ano. Seis taxa foram considerados endêmicos do BCE. Quinze foram considerados ameaçados, ora no Brasil ou globalmente. A assembleia foi principalmente típica de floresta tropical primária, com muitas espécies altamente sensíveis a alterações do habitat, e indicadoras de floresta amazônica preservada, mas também com umas poucas espécies indicadoras de hábitat alterados. Várias espécies de tamnofilídeos de sub-bosque estiveram entre as espécies mais frequentes, e os psitacídeos foram a família com o maior número total de espécies. Psophia obscura, classificado como criticamente ameaçado, foi encontrado várias vezes durante as amostragens. Alguns taxa endêmicos do BCE estiveram também entre as espécies mais frequentemente amostradas, indicando uma composição da comunidade notavelmente idiossincrática. Os nossos resultados reforçam a extrema importância da GBR como uma região estratégica para a conservação tanto das espécies de aves ameaçadas quanto das comunidades de aves do BCE. Recomendamos terminar completamente o desmatamento no Maranhão para preservar as espécies e comunidades de aves.
Downloads
References
1. Silva JMC, Rylands AB, Fonseca GAB. O destino das áreas de endemismo da Amazônia. Megadiversidade. 2005;1:124-131.
2. De Luca AC, Develey PF, Bencke GA, Goerck JM. Áreas importantes para a conservação das aves no Brasil. Parte II – Amazônia, Cerrado e Pantanal. São Paulo: SAVE Brasil; 2009.
3. Celentano D, Rousseau GX, Muniz FH, Varga IVD, Martínez C, Carneiro M, et al. Towards zero deforestation and forest restoration in the Amazon region of Maranhão state, Brazil. Land Use Policy. 2017; [https://doi.org/10.1016/j.landusepol.2017.07.041](https://doi.org/10.1016/j.landusepol.2017.07.041) DOI: https://doi.org/10.1016/j.landusepol.2017.07.041
4. Celentano D, Miranda MV, Mendonça EN, Rousseau GX, Muniz FH, Loch VDC, et al. Desmatamento, degradação e violência no "Mosaico Gurupi" – A região mais ameaçada da Amazônia. Estudos Avançados. 2018;32:315-339. DOI: https://doi.org/10.5935/0103-4014.20180021
5. Aleixo A. Lacunas de conhecimento, prioridades de pesquisa e perspectivas futuras na conservação de aves na Amazônia Brasileira. In: De Luca AC, Develey PF, Bencke GA, Goerck JM, editors. Áreas importantes para a conservação das aves no Brasil. Parte II – Amazônia, Cerrado e Pantanal. São Paulo: SAVE Brasil; 2009. p.39-48.
6. Paiva et al. Biodiversity and Conservation. 2020;29:19-38. doi:10.1007/s10531-019-01867-9 DOI: https://doi.org/10.1007/s10531-019-01867-9
7. Gama LHOM, Paiva PFPR, da Silva Junior OM, Ruivo MLP. Modelagem ambiental e uso da inteligência artificial para prognóstico de desmatamento: o caso da Rebio do Gurupi-MA. Res Soc Dev. 2021;10(2):e13810211609. doi:10.33448/rsd-v10i2.11609 DOI: https://doi.org/10.33448/rsd-v10i2.11609
8. Silva-Junior CHL, Buna ATM, Bezerra DS, Costa OS Jr, Santos AL, Basson LOD, et al. Forest fragmentation and fires in the eastern Brazilian Amazon – Maranhão State, Brazil. Fire. 2022;5:77. doi:10.3390/fire5030077 DOI: https://doi.org/10.3390/fire5030077
9. Skole D, Tucker C. Tropical deforestation and habitat fragmentation in the Amazon: Satellite data from 1978 to 1988. Science. 1993;260(5116):1905-1910. DOI: https://doi.org/10.1126/science.260.5116.1905
10. Gascon C, Bierregaard RO Jr, Laurance WF, Rankin-de-Merona J. Deforestation and forest fragmentation in the Amazon. In: Bierregaard RO Jr, Gascon C, Lovejoy TE, Mesquita R, editors. Lessons from Amazonia: the ecology and conservation of a fragmented forest. New Haven: Yale University Press; 2001. p.22-30.
11. Valois ACC. Benefícios e estratégias de utilização sustentável da Amazônia. Brasília: EMBRAPA Informação Tecnológica; 2003. p.34-37.
12. Lima DM, Martínez C, Raíces DSL. An avifaunal inventory and conservation prospects for the Gurupi Biological Reserve, Maranhão, Brazil. Rev Bras Ornitol. 2014;22(4):317-338. DOI: https://doi.org/10.1007/BF03544270
13. Silva-Junior CHL, Celentano D, Rousseau GX, Moura E, Varga IVD, Martínez C, Martins MB. Amazon forest on the edge of collapse in the Maranhão State, Brazil. Land Use Policy. 2020;97:104806. doi:10.1016/j.landusepol.2020.104806 DOI: https://doi.org/10.1016/j.landusepol.2020.104806
14. Lees AC, Moura NG, Santana A, Aleixo A, Barlow J, Berenguer E, et al. Paragominas: a quantitative baseline inventory of an eastern Amazonian avifauna. Rev Bras Ornitol. 2012;20(2):93-118.
15. Pinheiro LVS, Leite G, Martínez C, Gonsioroski G, Pereira S, Melo H, et al. Aves da Rebio Gurupi: Implementação de protocolo avançado de monitoramento e atualizações. Biodiversidade Brasileira. 2024;14(3):71-104. doi:10.37002/biodiversidadebrasileira.v14i3.2531 DOI: https://doi.org/10.37002/biodiversidadebrasileira.v14i3.2531
16. Novaes FC, Lima MFC. Aves da Grande Belém: Municípios de Belém e Ananindeua, Pará. 2ª ed. Belém: Museu Paraense Emílio Goeldi; 2009. p.415.
17. Portes CEB, Carneiro LS, Schunck F, Silva MSS, Zimmer KJ, Whittaker A, et al. Annotated checklist of birds recorded between 1998 and 2009 at nine areas in the Belém area of endemism, with notes on some range extensions and the conservation status of endangered species. Rev Bras Ornitol. 2011;19:167-184.
18. Carvalho DL, Sousa-Neves T, Cerqueira PV, Gonsioroski G, Silva SM, Silva DP, Santos MPD. Delimiting priority areas for the conservation of endemic and threatened Neotropical birds using a niche-based gap analysis. PLoS ONE. 2017;12(2):e0171838. doi:10.1371/journal.pone.0171838 DOI: https://doi.org/10.1371/journal.pone.0171838
19. Lees AC, Peres CA. Habitat and life history determinants of antbird occurrence in variable-sized Amazonian forest fragments. Biotropica. 2010;42:614-621. DOI: https://doi.org/10.1111/j.1744-7429.2010.00625.x
20. Rutt CL, Mokross K, Kaller MD, Stouffer PC. Experimental forest fragmentation alters Amazonian mixed-species flocks. Biol Conserv. 2020;242:108415. DOI: https://doi.org/10.1016/j.biocon.2020.108415
21. Martínez C. Species richness of antbirds (Thamnophilidae) in more central and peripheral sites of terra firme forest in the eastern edge of Amazonia. Bol Mus Para Emílio Goeldi (Ciências Naturais). 2022;17(3):735-739. DOI: https://doi.org/10.46357/bcnaturais.v17i3.820
22. Azevedo TR de, Rosa MR, Shimbo JZ, Martin EV, Oliveira MG de. Relatório anual de desmatamento. MapBiomas, São Paulo, SP. 2019. Disponível em: [http://alerta.mapbiomas.org](http://alerta.mapbiomas.org) (Acessado em 31 maio 2019)
23. Barlow J, Berenguer E, Carmenta R, França F. Clarifying Amazonia’s burning crisis. Glob Change Biol. 2019;25:1-10. doi:10.1111/gcb.14872 DOI: https://doi.org/10.1111/gcb.14872
24. Terra Brasilis / PRODES (Desmatamento). 2024. Disponível em: [https://terrabrasilis.dpi.inpe.br/app/dashboard/deforestation/biomes/legal_amazon/rates](https://terrabrasilis.dpi.inpe.br/app/dashboard/deforestation/biomes/legal_amazon/rates). Acesso em: 13/11/2024
25. Bibby CJ, Burgess ND, Hill DA. Bird census techniques. 2nd ed. London: Academic Press; 2000.
26. Erize FJ, Mata RR, Rumboll M. Birds of South America: Non-Passerines: Rheas to Woodpeckers. Princeton: Princeton Illustrated Checklists; 2006.
27. Ridgely RS, Tudor G. Field guide to the songbirds of South America: the passerines. Austin: University of Texas Press; 2009.
28. Van Perlo B. A field guide to the birds of Brazil. Oxford: Oxford University Press; 2009. DOI: https://doi.org/10.1093/oso/9780195301540.001.0001
29. Xeno-Canto. Sharing wildlife sounds from around the world. Disponível em: [http://www.xeno-canto.org/](http://www.xeno-canto.org/). Acesso em: 08/11/2024
30. WikiAves. WikiAves, a Enciclopédia das Aves do Brasil. Disponível em: [http://www.wikiaves.com.br/](http://www.wikiaves.com.br/). Acesso em: 08/11/2024
31. Gotelli NJ, Colwell RK. Estimating species richness. In: Biological diversity: frontiers in measurement and assessment. Oxford: Oxford University Press; 2011. p.39-54.
32. Jost L, Chao A, Chazdon RL. Compositional similarity and β (beta) diversity. In: Magurran AE, McGill BJ, editors. Biological diversity: frontiers in measurement and assessment. New York: Oxford University Press; 2011. p.66–84
33. Legendre P, Legendre L. Developments in environmental modeling. In: Numerical ecology. 3rd ed. Amsterdam: Elsevier; 2012.
34. Stotz DF, Fitzpatric JW, Parker III TA, Moskovits DK. Neotropical birds: ecology and conservation. Chicago: University of Chicago Press; 1996.
35. Margalef R. Limnología. Barcelona: Ed. Omega; 1983.
36. MMA. Portaria MMA nº 148, de 7 de junho de 2022. DOU Nº 108, Seção 1, p.74.
37. IUCN. The IUCN Red List of Threatened Species. Version 2023-1. Disponível em: [https://www.iucnredlist.org](https://www.iucnredlist.org). Acesso em: 2024
38. Pacheco JF, Silveira LF, Aleixo A, Agne CE, Bencke GA, Bravo GA, Brito GRR, Cohn-Haft M, Mauricio GN, Naka LN, Olmos F, Posso S, Lees AC, Figueiredo LFA, Carrano E, Guedes RC, Cesari E, Franz I, Schunck F, Piacentini VQ. Annotated checklist of the birds of Brazil by the Brazilian Ornithological Records Committee – second edition. Ornithol Res. 2021;29(2). doi:10.1007/s43388-021-00058-x DOI: https://doi.org/10.1007/s43388-021-00058-x
39. Stopiglia R, Barbosa W, Ferreira M, Raposo MA, Dubois A, Harvey MG, Kirwan GM, Forcato G, Bockmann FA, Ribas CC. Taxonomic challenges posed by discordant evolutionary scenarios supported by molecular and morphological data in the Amazonian Synallaxis rutilans group (Aves: Furnariidae). Zool J Linn Soc. 2022;195(1):65-87. DOI: https://doi.org/10.1093/zoolinnean/zlab076
40. del Hoyo J, Kirwan GM. Buff-browed Chachalaca (Ortalis superciliaris), version 1.0. In: Birds of the World. Cornell Lab of Ornithology, Ithaca, NY, USA; 2020. Disponível em: [https://doi.org/10.2173/bow.bubcha1.01](https://doi.org/10.2173/bow.bubcha1.01). Acesso em: 20/11/2023
41. Dantas SM, De Luca A. Celeus torquatus pieteroyensi Oren, 1992. In: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, editor. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção: Volume III – Aves. Brasília: ICMBio; 2018. p.243-245.
42. Isler ML, Maldonado-Coelho M. Calls distinguish species of antbirds (Aves: Passeriformes: Thamnophilidae) in the genus Pyriglena. Zootaxa. 2017;4291:275-294. DOI: https://doi.org/10.11646/zootaxa.4291.2.3
43. Sick H. Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira; 1997.
44. Noss RF, Csuti B. Habitat fragmentation. In: Meffe GK, Carroll CR, editors. Principles of conservation biology. 2nd ed. Sunderland: Sinauer Associates; 1997. p.269-304.
45. Ricklefs RE. The economy of nature: a textbook in basic ecology. New York: Chiron Press; 2001.
46. Lees AC, Peres CA. Rapid avifaunal collapse along the Amazonian deforestation frontier. Biol Conserv. 2006;133:198-211. DOI: https://doi.org/10.1016/j.biocon.2006.06.005
47. Oren DC, Roma JC. Composição e vulnerabilidade da avifauna da Amazônia maranhense. In: Martins MB, Oliveira TG, editors. Amazônia Maranhense: Diversidade e Conservação. Belém: MPEG; 2011. p.221-247.
48. Alteff E, Gonsioroski G, Barreiros M, Torres LGCO, Camilo AR, Mozerle HB, Sousa AEBA, Medolago CAB, Martínez C, Lima DM, Ubaid FK, Mendonça EM, Tomotani BM, Silveira LF. The rarest of the rare: rediscovery and status of the critically endangered Belem Curassow, Crax fasciolata pinima (Pelzeln, 1870). Papéis Avulsos de Zool. 2019;59:1-6. DOI: https://doi.org/10.11606/1807-0205/2019.59.46
Published
Issue
Section
License
Copyright (c) 2025

This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
The authors retain copyright to the published works, which may be reused and disseminated in other media, provided that the original publication source (Biodiversidade Brasileira journal) is cited.








