Mastofauna da Serra da Chapadinha: quando a ciência cidadã revela uma paisagem que precisa ser protegida
DOI:
https://doi.org/10.37002/biodiversidadebrasileira.v16i2.2896Palavras-chave:
Wild mammals , camera traps , biodiversity , Chapada DiamantinaResumo
O estudo teve como objetivo caracterizar a mastofauna da Serra da Chapadinha, na Chapada Diamantina/BA, e avaliar a contribuição da ciência cidadã para o registro de mamíferos silvestres em uma área em processo de criação de unidade de conservação. A amostragem foi realizada exclusivamente com armadilhas fotográficas operadas por colaboradores locais, gerando dados sobre a ocorrência de espécies e sua distribuição no ambiente. A partir de 1.080 armadilhas/dia, ao todo foram registradas 23 espécies pertencentes a 8 ordens e 18 famílias, incluindo táxons ameaçados de extinção em nível regional e nacional. Os cinco mamíferos mais registrados foram Dasyprocta prymnolopha, Subulo gouazoubira, Thrichomys sp., Dasypus novemcinctus e Cerdocyon thous. Entre as espécies ameaçadas estão Leopardus tigrinus, Herpailurus yagouaroundi, Tayassu pecari, Sylvilagus brasiliensis, Sapajus xanthosternos, Callicebus barbarabrownae e Kerodon rupestris. A riqueza observada, embora influenciada pelas limitações inerentes ao método utilizado, mostrou-se compatível com estudos anteriores conduzidos na Chapada Diamantina, que aplicaram abordagens mais amplas, como combinações de métodos. Esses resultados indicaram que a Serra da Chapadinha abriga um conjunto representativo da mastofauna regional e reforçaram sua importância ecológica para a conectividade de paisagens entre formações de Caatinga e Mata Atlântica. O estudo evidenciou ainda o potencial da ciência cidadã para ampliar a cobertura espacial de inventários e gerar informações relevantes para o planejamento ambiental. Concluiu-se que a região desempenha papel estratégico para a conservação de espécies ameaçadas e que esforços complementares, com a integração de diferentes métodos de amostragem, poderão aprimorar o conhecimento sobre a fauna local e subsidiar ações de manejo e monitoramento a longo prazo.
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